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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Fábrica espanhola escoa ouriços apanhados na costa

"São apanhados aos milhares nas praias de Viana e os espanhóis tiram proveito disso

Parece um simples ouriço das castanhas, redondo e com espinhos, mas tem uma coloração diferente, mais escura. Dentro guarda suculentas ovas cor-de-laranja, que o mercado absorve como um produto de luxo.

Uma fábrica espanhola instalada em Melgaço é, actualmente, o principal canal de escoamento das muitas toneladas de ouriços do mar, que todos os anos são apanhadas nas praias de Viana do Castelo. A unidade pertencente à empresa "González Barrio" que há mais de 80 anos produz conservas da marca "Costera", em Gijón, nas Asturias, instalou-se recentemente na zona industrial de Penso, para, a partir dela, fabricar caviar de ouriço com matéria-prima que lhe chega principalmente da costa vianense.

O ouriço do mar não é para qualquer carteira. Uma rápida busca na Internet permite constatar que um pequeno frasco de vidro com 130 gramas pode custar cerca de 24 euros, mas nos meandros deste circuito fala-se em valores bem mais elevados.

De Belinho a Afife, passando pela Amorosa, Praia Norte e Carreço, há gente que vive da apanha do ouriço. Para exercer esta actividade apenas há que possuir uma licença que custa menos de 10 euros e ter perícia, paciência e alguma coragem para procurar nas poças no meio das rochas o bicho que é pago a peso de ouro. A apanha está regulada por uma lei que não impõe limites nem quanto ao tamanho do animal marinho nem quanto às quantidades a capturar, e pode, por isso, render muitos milhares de euros.

Segundo Martins dos Santos, comandante da Capitania do Porto de Mar de Viana do Castelo, a Direcção Geral de Pescas terá emitidas, na actualidade, mais de duas dezenas de licenças individuais na costa entre Esposende e Vila Praia de Âncora.

Ilídio Oliveira, 41 anos, residente em Areosa, Viana do Castelo, é, juntamente com o seu filho mais velho, portador de "Cartão Individual de Apanhador de Animais Marinhos". Há nove anos que se dedica a buscar, nos orifícios mais recônditos das praias vianenses, ouriços a que mais tarde serão retiradas as ovas para servir frescas, por exemplo, nos luxuosos hotéis franceses ou ser transformadas em conserva de luxo, desde paté a caviar.

É voz corrente entre os pescadores desportivos locais, a quem esta actividade desagrada, que em época de apanha - entre Outubro e Abril quando os ouriços se encontram cheio de ovas - estes animais marinhos são arrancados às toneladas do seu habitat. Escondidos por entre as rochas, são capturados na maré baixa à mão ou com objectos metálicos como as foucinhas, neste último caso numa clara transgressão da própria lei.

"É difícil para a Polícia Marítima o campo de actuação, porque as pessoas criam esquemas de vigilância, em que facilmente conseguem descartar e esconder os instrumentos. Nestas acções que vamos fazendo encontramos muitos instrumentos abandonados", declarou, ao JN, o comandante Martins dos Santos, reconhecendo: "Há contestação pelo facto de os ouriços serem apanhados em grandes quantidades, mas a legislação não impõe quantidade, e relativamente ao tamanho do ouriço também não, por isso não há nada a fazer em termos de fiscalização". O JN tentou, até ao momento sem êxito, contactar o proprietário da fábrica receptora em Melgaço."

domingo, 14 de junho de 2009

Castro Laboreiro já é vila


"Prestígio é a única mais valia para mais cinco cidades e 22 vilas

Elevações representam reconhecimento pelo trabalho feito e estímulo a mais progresso.

No território português há, desde esta sexta-feira, mais 22 novas vilas e cinco novas cidades. As elevações não significam nenhum aumento de receitas para as autarquias, mas tão só prestígio. Mesmo assim, há vilas que não querem deixar de o ser.

No total foram aprovadas no Parlamento 27 alterações na classificação das cidades e vilas portuguesas. Foram elevadas a cidade as localidades de Valença (Viana do Castelo), Senhora da Hora (Matosinhos), S. Pedro do Sul (sede do concelho), Samora Correia (Benavente) e Borba (Évora). À categoria de vilas passaram 22 localidades .

Nas galerias do Parlamento, todos os lugares estavam ocupados por dezenas de cidadãos de diversas localidades que assistiam com ansiedade à votação, mas sem se manifestarem, para além de alguns braços no ar e polegares levantados em gesto de vitória.

Ricardo Martins, presidente da Subcomissão para a Criação de Novos Municípios, Freguesias, Vilas e Cidades da Assembleia da República disse, ao JN, que as elevações são meramente administrativas e não representam mais do que reconhecimento e estímulo para as localidades envolvidas. "É sempre um desafio para fazerem mais", referiu.

Armando Vieira, do conselho directivo da Associação Nacional das Freguesias, afirmou que estas elevações são "um ganho intrínseco que tem a ver com a dignidade". "Ver reconhecida a sua urbanidade é de grande importância para as freguesias", salientou.

Fernando Ruas, presidente da Associação Nacional dos Municípios Portugueses, reconheceu que a mudança de categoria para as povoações e vilas representa, como único ganho para as populações locais, um orgulho pela sua terra. "Para os autarcas, a subida de classificação é o reconhecimento pelo trabalho feito".

De acordo com a legislação, salvo "importantes razões de natureza histórica, cultural e arquitectónica", uma localidade pode ser elevada à categoria de cidade se tiver mais de oito mil eleitores e pelo menos metade dos seguintes equipamentos: instalações hospitalares, farmácias, corporação de bombeiros, casa de espectáculos e centro cultural, museus e biblioteca, instalações de hotelaria, estabelecimento de Ensino Preparatório e Secundário, estabelecimento de ensino Pré-Primário e infantários, transportes públicos, parques ou jardins públicos.

Rio Fernandes, geógrafo, é também de opinião que a atribuição dos títulos não representa nenhum aumento de receitas para as autarquias, mas apenas acarreta prestígio. Contudo, como fez questão de recordar, em alguns casos a mudança de título é vista como um desprestígio e, por isso, é recusada. "É o que acontece com Ponte de Lima e Sintra, que não querem deixar de ser vilas", salientou. Para Rio Fernandes, a designação cidade já não faz muito sentido em grandes espaços metropolitanos, onde residem dois terços da nossa população, mas apenas em povoamentos mais concentrados.

Por sua vez, o geógrafo Álvaro Domingues é de opinião que "o ganho de auto-estima já não é nada mau". Como explicou, "na verdade, a elevação não implica um efeito directo. Contudo, a auto-estima mobiliza as pessoas.

Das elevações agora aprovadas, Álvaro Domingues ressalta a da vila da Senhora da Hora pela sua condição urbana contemporânea. "Hoje há o culto do centro histórico. E, no caso da Senhora da Hora, a sua identidade surge de um conjunto de equipamentos que lhe deram vida própria, como o hospital, centros comerciais, auto-estrada, o metro, condomínios de luxo. Houve ali uma metamorfose urbana impressionante nos últimos anos". "

Fernando Basto, Jornal de Notícias, 13/Junho/2009


Localidades que passaram a cidade:

Borba (Évora)
Samora Correia (Benavente)
São Pedro do Sul (sede do concelho)
Senhora da Hora (Matosinhos)
Valença (Viana do Castelo)

Localidade que passaram a vila:

A-dos-Francos (Caldas da Rainha)
Ancede (Baião, distrito do Porto)
Arões S. Romão (Fafe)
Bensafrim (Lagos)
Casal de Cambra (Sintra)
Castro Laboreiro (Melgaço, Viana do Castelo)
Foz do Arelho (Caldas da Rainha)
Guifões (Matosinhos)
Lavos (Figueira da Foz)
Lordelo (Vila Real)
Madalena (Vila Nova de Gaia)
Marinha das Ondas (Figueira da Foz)
Montelavar (Sintra)
Olival (Ourém, distrito de Santarém)
Prior Velho (Loures)
São Pedro (Figueira da Foz)
Senhora Aparecida (Lousada)
Soajo (Arcos de Valdevez)
Soza (em Vagos, distrito de Aveiro)
Tavarede (Figueira da Foz)
Valongo do Vouga (Águeda)
Vilarinho (Santo Tirso)

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Há teatro em Castro

Pois é...
Este Sábado mais uma vez "Comédias do Minho" vai estar em Castro com a peça "Um Grão Caído na Terra".

Será no Centro Cívico ás 21h30.

"Um Grão Caído na Terra nasce de um testemunho real: o de Omer Goldman, jovem israelita que, em 2008, se recusou a prestar serviço militar. A personagem, sem nome, faz dezanove anos; é chamada a servir o Estado, recusa. Dialoga com o soldado, o juiz, o pai, a carcereira, a companheira de cela. Atravessa a solidão e o desespero. Entre as paredes da prisão, sonha com um vento que a leva pelo céu. "

Acho que aqueles que podem não devem deixar de ir e de aproveitar esta oportunidade de fazer e ter algo diferente em Castro.

Afinal a cultura também chega lá... :-)
(informações retiradashttp://www.comediasdominho.blogspot.com/)

quarta-feira, 22 de abril de 2009

1º Prémio Castrum Villae Art


O Hotel Castrum Villae está a promover um concurso de pintura para artistas nacionais e estrangeiros. O tema dos trabalhos é livre, tendo estes de ser entregues até ao dia 3 de Abril. Os prémios são de 500 € (1º prémio), 375 € (2º prémio) e 250 € (3º prémio).

Eis as regras do concurso:

1. O Hotel Castrum Villae, em Castro Laboreiro, pretende desenvolver as artes plásticas, instituindo um prémio anual de pintura, a nível nacional, para especial promoção de artista da região, abrangendo também as camadas jovens.

2. Poderão participar artistas nacionais e estrangeiros, com idades a partir dos 10 anos.

3. Cada artista concorrente, poderá participar com 2 trabalhos, não podendo as medidas ultrapassar 150 cm de qualquer dos lados.

Não serão aceites pinturas com molduras. O tema é livre, de qualquer técnica expressiva, e só serão aceites trabalhos produzidos a partir de 2007. As obras concorrentes, deverão estar em estado de ser expostas, devidamente engradadas, e individualmente identificadas no verso, com o contacto do autor.

4. Todos os trabalhos concorrentes deverão ser entregues até ao dia 3 de Abril no Hotel Castrum Villae, em Castro Laboreiro, até às 24 horas.

5. A exposição das obras seleccionadas será de 25 de Abril até 10 de Junho, nas instalações do referido Hotel.

6. O júri será composto por:

a) um elemento da Direcção do Hotel;
b) um ou dois artistas plásticos de renome nacional;
c) um elemento da Câmara de Melgaço;
d) um ou dois professores de Educação Visual.

7. O primeiro prémio – 500,00 euros
O segundo prémio – 375,00 euros
O terceiro prémio – 250,00 euros

Nota: O terceiro prémio será atribuído ao jovem melhor classificado até aos 18 anos.

8. A mostra final, será uma exposição em que os seleccionados deverão colocar os preços nas respectivas obras para eventual comercialização.

9. As obras enquanto na posse do Hotel, estarão devidamente salvaguardadas em termos de seguro.

10. A apresentação das obras a concurso implica a aceitação deste Regulamento e casos omissos no mesmo, serão resolvidos pelo júri.


Para mais informações contactar:

Dr. Carlos Oliveira / D.ª La Salette Silva
T. 251 460 010 / F. 251 460 019
E-mail:
hotel@castrumvillae.com
www.castrumvillae.com

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Festa do Alvarinho e do Fumeiro


Como a S. já aqui tinha anunciado, nos dias 1, 2 e 3 de Maio vai realizar-se a XV Festa do Alvarinho e do Fumeiro em Melgaço.


D
o programa constam várias actividades: jornadas gastronómicas, tasquinhas, concursos, desporto (milha do Alvarinho, rafting, btt)...


Quanto à animação musical, vamos poder contar com:



Dia 1 de Maio (sexta-feira), às 15 h

Animação de rua e palco no recinto da Feira:

Grupo de concertinas os "Júnior's"
Grupo tradicional Verde Canto
Grupo Ronda Sol
Poente


Dia 1 de Maio (sexta-feira), às 20 h 30

Animação nocturna no recinto da Feira

Encontro de tunas académicas
Tuna Académica de Biomédicas
Tuna Masculina da Universidade Fernando Pessoa
Gatunos - Tuna Académica da Escola Superior de Estudos Industriais e de Gestão do Politécnico do Porto
Tuna Lusíada Porto
Tuna Veterena Portucalense Porto
Tuna de Veteranos de Viana do Castelo
(organização: Tuna dos Veteranos)

Grupo AltaFrequência

Dia 2 de Maio (sábado), às 14 h

Animação musical no recinto da Feira

Grupo Festada
Minhota
Grupo de Cavaquinhos de Amonde (Viana do Castelo)
Grupo de Concertinas e Cantares ao Desafio do Vale do Cávado
Cantares ao Desafio Adília de Arouca e Moreira de Paredes

Dia 2 de Maio (sábado), às 22 h

Espectáculo Musical

Ema
nuel
Grupo América

Dia 3 de Maio (domingo), às 15 h

Animação de rua e palco no recinto da Feira

Grupo de Música Tradicional
da Ranha de Baixo (Pombal)
Grupo 4 Ventos
Rusga Típica da Correlhã (Ponte de Lima)
Grupo de Cantigas Tradicionais "Ré Maior" (Paredes de Coura)
Grupo Tradicional "Raízes" (Vila Praia de Âncora)

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Conta-me como foi... (4)


"A série "Conta-me como foi", da RTP, vai ter este domingo um cenário completamente diferente do habitual. O elenco deixou os estúdios de Lisboa e passou uma semana a filmar na aldeia de Castro Laboreiro, perto de Melgaço, no extremo Norte de Portugal.

O resultado é um episódio especial de 90 minutos em que se narra uma ida da família Lopes à terra dos antepassados de "António" (interpretado por Miguel Guilherme). No ‘Morris Marina' da época viajam ainda "Margarida" (Rita Blanco), a sogra "D. Hermínia" (Catarina Avelar) e os 3 filhos do casal Lopes, a que dão vida os actores Fernando Pires, Rita Brütt e Luís Ganito.

A série tem conquistado o público português, que se revê nos pequenos pormenores que compunham a vida de uma modesta família urbana dos anos 60. O dia-a-dia português da época é fielmente reproduzido na série, adaptada do original espanhol "Cuentame como pasó".

Do elenco regular de "Conta-me como foi", que a RTP começou a transmitir em 2007 e já vai na 3ª temporada, fazem ainda parte José Raposo, Margarida Carpinteiro, Maria João Abreu, Manuel Wiborg e Elisa Lisboa, entre outros actores de primeira linha.

Neste episódio, que irá para o ar às 21h 30m do próximo domingo, dia 5, os Lopes saem de Lisboa para visitar "D. Perpétua", mãe de "António", que se encontra gravemente doente em Castro Laboreiro, terra ancestral da família.

As filmagens duraram uma semana e envolveram uma equipa de 50 pessoas, entre actores, produtores, técnicos e caracterizadores.

Veja em primeira-mão as fotos da família Lopes na província".

in Sapo, Portal Fama, 03/Março/2009

Só um pormenor: a legenda da quinta fotografia diz que a cena foi filmada no cemitério local... Quem o conhece vê logo que não! O "cemitério" da fotografia foi um cenário feito de propósito para as filmagens.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Conta-me como foi... (3)


Quem esta noite viu o "Conta-me Como Foi" assistiu à partida da família Lopes para a “terra”. As cenas da “terra” são as tais filmadas em Castro Laboreiro. Por isso, para a semana já devem aparecer algumas das filmagens que fizeram lá… Estejam atentos!

Aliás… Já hoje apareceram cenas filmadas lá: quando, durante a viagem, eles param para fazer um piquenique…

(a série dá aos Domingos, na RTP1, por volta das 21h30 – a seguir ao programa do Marcelo Rebelo de Sousa).

sábado, 28 de março de 2009

Incêndios: população de Melgaço culpa «falta de limpeza»

Incêndios: população de Melgaço culpa «falta de limpeza»


A população de Castro Laboreiro promete unir-se para reerguer a casa destruída pelas chamas


A população de Castro Laboreiro, Melgaço, em pleno Parque Nacional da Peneda Gerês (PNPG), culpa a falta de limpeza das matas pelos incêndios desta semana. Ermelinda Conde, que viu terça-feira a casa completamente pelo fogo, não hesita um segundo em apontar culpas pela tragédia.


«O incêndio começou além, bem longe. O meu senhor acha que, se as matas estivessem limpas, o fogo vinha por aí abaixo com a velocidade e a força com que veio, que mais parecia o demo?», questiona a idosa, ainda assustada com a memória, Ermelinda Conde, 71 anos, apontando para o cimo do monte.


As críticas à alegada falta de limpeza das matas são partilhadas pelo presidente da Junta de Freguesia de Castro Laboreiro, Avelino Esteves, e pelo comandante dos Bombeiros Voluntários de Melgaço, José Pereira, que apontam também o dedo à dificuldade de acessos e à escassez de linhas corta-fogo.


O secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, já assegurou que «a limpeza é uma rotina nas áreas protegidas», mas ressalvou que isso «é diferente de dizer que está tudo limpo e em toda a parte».


Mas o autarca de Castro Laboreiro não concorda, nem pouco mais ou menos, com o secretário de Estado. «Há uma enorme falta de limpeza no Parque. Às vezes, mais parece que é uma terra de ninguém. Quem devia dar o exemplo nada faz. Agora foi uma casa que ardeu, de hoje para amanhã nova tragédia pode acontecer. E o Parque vai continuar a assistir a isto de braços cruzados?» - insurgiu-se Avelino Esteves.


Manuel Rodrigues mora mesmo ao lado da casa que ardeu e também não cala a sua revolta pela alegada «indiferença» com que os responsáveis do PNPG olham para as populações residentes naquele espaço natural.


«E eles? Não deviam também ser multados por não limparem o que lhes compete?»


«A nós, pedem-nos para limparmos e até nos ameaçam com multas e tudo. E eles? Não deviam também ser multados por não limparem o que lhes compete?», acrescenta.


O presidente da Junta aponta o envelhecimento da população como a principal explicação para o «crescente matagal» em que aqueles terrenos se transformaram. «Enquanto as pessoas cultivavam as terras, pelo menos nas imediações das casas os terrenos estavam limpos. Mas à medida que a idade foi avançando e as forças faltando, a agricultura também foi sendo deixada de lado. E agora é o que se vê», afirma Avelino Esteves.


O comandante dos Bombeiros Voluntários de Melgaço, José Pedro Pereira, avança com um outro factor que dificulta «e muito» o trabalho dos homens da paz: os acessos. «Há muitos acessos bastante danificados, em muito mau estado mesmo. É praticamente impossível chegar ao interior de certas matas», refere.


População solidária


A população de Castro Laboreiro, em Melgaço, promete, entretanto, «arregaçar as mangas» e ajudar na reconstrução da casa de Ermelinda Conde, que foi terça-feira devorada pelas chamas, ficando apenas com as paredes exteriores de pé.


«Somos uma freguesia de gente simples mas extremamente solidária. Aqui, quando toca a ajudar, ajudam todos», disse, à Lusa, a sapadora florestal Carmo, enquanto colaborava nas acções de remoção dos escombros da casa de Ermelinda.


«Vamos mobilizar um peditório por Castro Laboreiro e pelas freguesias vizinhas», pelo que, «certamente conseguiremos voltar a pôr esta casa de pé. Onde todos ajudam, nada custa, não é?», acrescentou aquela sapadora.


Ermelinda Conde, viúva, com 71 anos de idade, viu a casa onde morava há meio século, no lugar de Coriscadas, ser terça-feira destruída pelas chamas, na sequência de um incêndio que deflagrou no monte vizinho, em pleno Parque Natural da Peneda-Gerês.






Redacção / MM, IOL Diário, 28/Março/2009. Fotos: Arménio Belo / LUSA

Aldeia de Melgaço sem escolas

Desertificação: Castro Laboreiro perdeu sete estabelecimentos de ensino em 40 anos


Quando, há 40 anos, Constança Rodrigues começou a sua carreira de professora primária em Castro Laboreiro, Melgaço, havia na freguesia seis escolas daquele grau de ensino mais uma telescola. Actualmente, estão todas fechadas, por falta de «clientela».

«Fechou tudo, porque não há crianças. Quando aqui comecei a leccionar, só na minha escola havia 40 alunos», conta à Lusa Constança Rodrigues, actualmente com 70 anos e reformada desde 1999.

Em Castro Laboreiro, todos a tratam, carinhosamente, por «professora». «Ensinei muitas gerações. Nalguns casos, passaram pelas minhas mãos pais, filhos e netos», recorda. Naquele tempo, Castro Laboreiro «respirava infância» por todos os lados.

«Hoje, crianças praticamente não se vêem. Os casais agora têm um filho e ficam por aí. São raros, muito raros, os que têm dois» e a «freguesia está cada vez mais envelhecida», lamenta Constança Rodrigues.

Quando começou a carreira, o seu primeiro ordenado foi de 1.200 escudos (seis euros) e o último de 1900 euros, quando dava aulas na única escola da aldeia, com apenas 13 alunos.

A partir de 2000, Castro Laboreiro deixou de ter qualquer escola e os seus alunos foram transferidos para o Centro Escolar de Pomares, que passou a servir todas as freguesias de montanha do concelho de Melgaço.

Crianças têm aulas em Pomares

Actualmente, de Castro de Laboreiro
vão para Pomares apenas dois ou três, que são transportados numa carrinha-táxi, uma solução que a docente reformada elogia.

«Acho muito bem. O isolamento não é nada bom nem para a socialização nem para a aprendizagem das crianças», aplaude Constança Rodrigues.

Situada a uma altitude superior a 1100 metros, Castro Laboreiro conta actualmente com perto de 900 habitantes, distribuídos por quase 90 quilómetros quadrados de área.

No final deste ano lectivo, Melgaço vai contar com um novo centro escolar, na vila, que concentrará os alunos de todas as freguesias da parte baixa do concelho.

Preocupada com a regressão demográfica no concelho, que em meio século perdeu 8000 habitantes, a Câmara de Melgaço começou este ano a atribuir incentivos à natalidade e à adopção.

«Há 50 anos, tínhamos 18 mil habitantes, actualmente são pouco mais de 10 mil», revela o presidente da Câmara de Melgaço.

Apoio à maternidade

O socialista Rui Solheiro recorda que, em 2007, apenas nasceram 50 crianças em Melgaço, um número que espera ver crescer nos próximos anos, com os incentivos que a câmara vai atribuir, ao abrigo do recentemente aprovado Plano de Desenvolvimento Sustentável e Solidário.

Quinhentos euros é o valor do subsídio que a autarquia vai atribuir pelo nascimento ou adopção do primeiro e do segundo filhos.

A partir do terceiro filho, o subsídio ascenderá a mil euros.

A Câmara compromete-se ainda a reembolsar o montante despendido com a mensalidade da creche para os agregados familiares residentes no concelho e que forem incluídos no primeiro escalão da tabela de mensalidades praticada pela instituição.

Redacção / AP, IOL Diário, 27/Março/2009

quarta-feira, 25 de março de 2009

Incêndios desalojam viúva

Parque da Peneda-Gerês continua a arder intensamente e chamas já rondam aldeias


Quase
toda a Zona Norte, junto à fronteira com Espanha esteve, esta terça-feira, envolta em chamas. De Melgaço a Freixo de Espada a Cinta, fogos pintaram de negro três parques nacionais: Gerês, Montesinho e Douro Internacional.

O fogo que há dias consome mato e floresta em inúmeros pontos o território do Parque Nacional da Peneda Gerês - entre outros, igualmente graves, em toda a região norte (ver página ao lado) - atingiu ontem uma habitação, no lugar de Coriscadas, em Castro Laboreiro, Melgaço, da qual só restaram as paredes. A sua proprietária e única habitante, uma mulher, viúva, com 71 anos, ficou sem tecto e foi realojada em casa de familiares. Outras habitações estiveram, por proximidade, em risco, mas, segundo a população, a pronta intervenção dos bombeiros evitou o pior. "Havia fogo por aqui nestas matas pela beira das casas e depois as chamas que saíam das giestas entraram para dentro de casa dela, começou a arder e queimou-lhe tudo o que ela tinha, só ficou com a roupinha que tinha vestida. Não teve tempo de tirar nada", contou, ao JN, uma vizinha que acolheu a idosa desalojada durante várias horas.

"
Ela estava muito nervosa, passou o dia a chorar. Isto foi uma desgraça muito grande", referiu. A mulher terá sido instalada em casa de familiares em Castro Laboreiro. Transtornada com o sucedido estava também Palmira Rodrigues, 64 anos, moradora na habitação ao lado da que foi devastada pelo fogo e que teve de ser "tirada à força" de casa pelos bombeiros. "O lume andou muito depressa. A minha casa esteve quase a arder, mas vá lá que estavam aqui os bombeiros e protecções civis de toda a parte. Eu tive muito medo e não queria sair da casa, mas fizeram-me sair à força porque estava em perigo", contou, afirmando: "O fogo foi posto. Toda a gente sabe disso".

O incêndio
que lavrava em duas frentes desde segunda-feira à tarde, na serra, em Castro Laboreiro, foi dado como extinto de madrugada, às 3 horas, reacendeu ontem pela manhã e foi debelado ao fim da tarde de ontem. Segundo Robalo Simões, do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Viana do Castelo, as chamas atingiram a habitação "porque o rés-do-chão tinha muita palha e lenha com fartura e com alguma facilidade propagou o fogo". "Em minutos, a casa ficou tomada e não houve possibilidade de a salvar", adiantou.

Cerca
das 18 horas de ontem, o mesmo responsável dava como circunscrito um outro fogo que ardia em simultâneo na freguesia vizinha de Lamas Mouro, há cerca de 24 horas. Sobre a origem destes incêndios quem anda no terreno a combatê-los recusa-se a aventar qualquer hipótese, mas entre a população muitos são os que afirmam haver nesta situação "mão criminosa".

"Já viu alguma coisa arder sem lhe fazer lume? Para acender um cigarro não tem de
lhe pôr lume para arder? Pois aqui é a mesma coisa", comentava indignado Manuel Rodrigues, 68 anos, acrescentando: "Se eu soubesse quem foi, já estava na cadeia ou ia buscá-lo pela gola do casaco e metia-o no meio do lume".


Parques naturais em 2008

Montesinho

Segundo
o Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade, em 2008, entre todas as áreas protegidas do país, foi no Parque Natural de Montesinho que ardeu maior área: 1398 hectares. Segue-se o da Serra da Estrela (589) e o da Peneda-Gerês (238).

Área ardida

Em 2008, arderam menos 25697,445 hectares em áreas protegidas, com destaque para o Parque Natural de S. Mamede, com menos 10305,57 hectares relativamente ao ano anterior. No Parque Natural de Montesinho arderam mais 1302 hectares que em 2007.

Ana Peixoto
Fernandes, Jornal de Notícias, 25/Março/2009

Incêndio florestal: Habitação destruída em Castro Laboreiro

Uma habitação em Castro Laboreiro, Melgaço, foi hoje completamente consumida pelas chamas, na sequência de um incêndio florestal que lavrava nas imediações, informou fonte da Protecção Civil.

Segundo
a fonte, a casa era habitada por uma idosa, que escapou ilesa.

Afonte explicou que nas traseiras da habitação havia feno e no rés-do-chão palha e lenha.

"
Deve ter-se registado uma projecção do incêndio e as chamas propagaram-se rapidamente, destruindo por completo a habitação", acrescentou afonte.

No local há outras habitações, que não foram atingidas.

A
idosa ficou provisoriamente alojada na casa de um vizinho, enquanto espera a chegada de um seu filho.

O referido incêndio, que começou perto das 09:00, na aldeia de Curiscadas, já está controlado.

VCP/LUSA, Jornal de Notícias, 24/Março/2009

segunda-feira, 23 de março de 2009

Mais de mil fogos em menos de uma semana

"O Inverno foi quente, com quase dois mil incêndios, e não augura um Verão sossegado. Políticos e bombeiros estão preocupados com o que aí vem, pois alguns comportamentos de risco permanecem, como por exemplo as queimadas feitas em dias de calor. E, em ano de eleições, muitos fogos podem fazer perder muitos votos. Ontem, o dia voltou a ser negro.

na última semana registaram-se mais de mil incêndios em todo o território. Um número superior aqueles que tinham deflagrado desde o início do ano, 898. Estas estatísticas aproximam-se, perigosamente, das de 2005, quando o País viveu um dos piores anos de sempre, e já levaram a Liga de Bombeiros Portugueses a deixar o alerta. "Este vai ser um ano preocupante, muito diferente dos últimos dois", disse ao DN o presidente Duarte Caldeira.

O dia de ontem veio reforçar ainda mais a preocupação, com mais de uma dezena de fogos
no Norte e Centro do País. As chamas voltaram a rondar a Mata de Albergaria, no Gerês, e no distrito de Viseu obrigaram até a cortar uma estrada nacional.

No
Parque Natural da Peneda Gerês, diversos fogos fustigaram durante horas, e de forma descontrolada, vários concelhos dos distritos de Viana do Castelo e Braga. As queimadas são agora a maior preocupação, dadas as altas temperaturas, garantem os bombeiros.

O
incêndio mais grave registou-se em Terras de Bouro, junto à Mata da Albergaria, zona com o estatuto de reserva europeia da biodiversidade, constituída por um carvalhal secular que inclui espécies características da fauna e flora.

A
combater as chamas chegaram a estar 70 elementos dos bombeiros, GNR, sapadores florestais, eInstituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade, bem como uma dezena de bombeiros espanhóis e um helicóptero Kamov.

No distrito
de Viana do Castelo, uma centena de pessoas combateram três grandes focos que destruíram mato em pleno parque, entre os concelhos de Melgaço, Ponte da Barca (Soajo e Paradela) e Arcos de Valdevez (Parada).

"
Ao final do dia a situação mais complicada era em Melgaço, na zona de Castro Laboreiro. Não está fácil, porque é uma zona de difíceis acessos", explicou Robalo Simões, segundo comandante distrital de Viana do Castelo.

"
As pessoas estão habituadas a queimar sobrantes nesta altura do ano, mas as temperaturas estão muito altas e a humidade é baixa", acrescentou, explicando estar em curso um alerta para evitar queimadas.

Em Viseu, o incêndio
de S. Pedro de France consumiu vinte hectares de floresta, originou milhares de euros de prejuízos e obrigou a cortar a EN 229, que liga Viseu ao Sátão. Em poucas horas o fogo "comeu uma vasta área de pinhal e eucaliptal", conta o comandante dos Bombeiros Municipais de Viseu. A ajudar a progressão das chamas esteve "o vento e o acidentado do terreno, um enorme valeiro onde havia uma plantação de eucalipto", adianta Jorge Antunes.

O
fogo começou cedo e o vento impeliu as chamas a "uma velocidade medonha", relata Manuel Sousa, agricultor naquela região. Às 13 horas, "o risco para a circulação rodoviária"obrigou a cortar a estrada, explicou Américo Nunes, vereador da Câmara de Viseu".

Amadeu Araújo, Paulo Julião, Com Rita Carvalho, Diário de Notícias, 23/Março/2009

quarta-feira, 11 de março de 2009

Doze concelhos com taxa de desemprego acima de 10%

"A taxa de desemprego passou a barreira dos 10% em 12 concelhos portugueses, dos quais sete são do Norte do país. Mesão Frio, Espinho e Santo Tirso destacam-se com as taxas de desemprego mais elevadas, em contraponto com Melgaço, São Brás de Alportel e Oleiros, que têm as taxas mais baixas.

A percentagem de desemprego face à população em idade activa igual ou superior a 10% nota-se com maior relevo no Norte do país. No concelho de Mesão Frio o desemprego atingiu os 12,9%, em Espinho a taxa é de 12,85% e em Santo Tirso é de 12,5%.

A realidade no Sul do país é mais positiva. Na capital a taxa de desemprego é de 5,9%, enquanto que no Porto, por exemplo, é de 8,9%, informa a TSF com base num ranking nacional que reúne os 278 concelhos.

Os concelhos com as mais baixas taxas de desemprego são Melgaço (2,6%), São Brás de Alportel (2,5%) e Oleiros (2,1%). Em Oleiros, em Janeiro deste ano estavam inscritos no Instituto de Emprego e Formação Profissional apenas 70 desempregados".

sábado, 7 de março de 2009

Festa Do Alvarinho 2009

Não se esqueçam de aparecer...
Aproveitem o fim de semana prolongado :-)

quarta-feira, 4 de março de 2009

Peneda-Gerês quer ser um grande parque eólico


"António Afonso, presidente da Câmara Municipal de Terras de Bouro, já reuniu com o novo director do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) e garantiu que aquele responsável considera a questão da proibição do uso de casas de montanha como “uma falsa questão”.

O edil terrabourense referiu que o novo director pretende tomar diligências junto da federação da rede europeia PAN Parks para tentar compatibilizar a gestão do PNPG com a população e entidades locais.

Até porque com esta crise, já se nota um regresso à agro pecuária”.

Recorde-se que este último episódio - do impedimento de uso das casas de montanha - foi a ‘gota de água’, para uma ruptura completa com o ex-director do parque nacional e que catapultou para vários movimentos de pastores que se insurgiram contra a política que estava a ser seguida.

Das palavras que António Afonso depreendeu do novo director do PNPG, à partida o pastoreio manter-se-á nos moldes que sempre teve em territórios de montanha.

Seja como for, o presidente da autarquia de Terras de Bouro continua a defender a possibilidade de serem instalados parques eólicos no PNPG.

O responsável considera, desta forma, que não “há qualquer justificação para que o Parque Nacional não seja fonte de energia eólica”.

Mais. António Afonso adianta mesmo que devem ser instalados estes parques, sobretudo nos concelhos de Terras de Bouro e Ponte da Barca - áreas geográficas onde entende que há melhores condições.

O objectivo é tornar o PNPG a “princesa” da energia eólica do país".

Marta Caldeira, Correio do Minho, 4/Março/2009

terça-feira, 3 de março de 2009

O teatro toma conta da casa


"Comédias do Minho leva peças a lares de Paredes de Coura, Melgaço, Monção, Valença e V. N. Cerveira

Imagine que está em casa e que, de repente, dos retratos que tem espalhados pelas várias divisões saltam personagens. Ou que lhe surgem imagens reais de um ou outro sonho que foi tendo repetidas vezes ao longo da sua vida.

Ou ainda que de um país qualquer distante para onde desejava viajar e nunca teve oportunidade, lhe entre pela porta dentro um bocadinho das suas gentes, da sua música e das suas danças.

Tudo isto pode parecer um pouco esquizofrénico, mas a verdade é que, através da arte, nada é impossível. A comprová-lo está a nova produção teatral da companhia Comédias dos Minho, sediada em Paredes de Coura, e que se estreou em casa de uma habitante da freguesia de Bico.

Esmeralda Lima, 82 anos, a viver sozinha há mais de 30 no lugar de Seara, permitiu surpreendentemente que de um momento para o outro os seus aposentos fossem invadidos por um bando de artistas dispostos a tudo para recriar o seu mundo. Quintal, cozinha, sala, quartos, casa de banho e estábulo, tudo é palco de "Salto da água", um conjunto de ficções inspiradas em passagens da vida e dos sonhos da proprietária da casa, e que integram o novo espectáculo "Contra-bando".

"A Esmeralda não precisa ir ao teatro porque tem o teatro à sua volta", explica Madalena Victorino, a coreógrafa (ex-assessora para a área da pedagogia e animação da Fundação Centro Cultural de Belém) convidada pela companhia Comédias do Minho, para tomar em mãos este projecto. Estabelecer "um relacionamento mais próximo e vertiginoso" entre os grupo de actores e a população da região servida pela Comédias do Minho (os concelhos de Paredes de Coura, Melgaço, Monção, Valença e Vila Nova de Cerveira) foi o desafio a que se propôs Vitorino. A "infiltração artística" em casa das pessoas é a sua filosofia.

"Bem-vindos ao Salto da água", é desta forma que, acompanhada por Esmeralda Lima, Madalena Vitorino recebe o público junto ao portão da casa tomada pelo teatro. A assistência é a partir de aí conduzida por um grupo de sete actores para cenários ora enigmáticos ora divertidos do universo da octogenária. O imprevisto toma conta do espaço pessoal de Esmeralda. Ressuscitam-se histórias da sua infância, como aquela em que com o irmão pediu um barco ao pai como recompensa pelas boas notas na escola e velhas ligações afectivas como a que tinha com o seu padrinho Francisco emigrante brasileiro, que nunca pôde visitar e de quem guarda duas belas fotos: a dele e a da sua namorada brasileira.

Para levar um pouco de Brasil a casa de Esmeralda os artistas saltam numa dança frenética ao som de Carmen Miranda para a cozinha da anfitriã. Os olhos de Esmeralda brilham. "A casa está de pernas para o ar, mas eu torno-a a pôr no chão", ri.

Nos quartos, personagens reais irrompem do retrato do casamento de uma sobrinha, de uma imagem de Nossa Senhora de Fátima e de um sonho que há muito se repete durante o sono da idosa. "Uma altura sonhava com muito água, ia para a frente por uns carreiros e havia um rio que começava a crescer e eu via-me à toa porque parecia que a água me queria levar e eu acordava assustada com aquilo", recorda Esmeralda Lima.

A arte do teatro transforma-lhe os sonhos de água em luz e movimento, e inunda-lhe os quatro cantos da casa e acima de tudo, o coração.

Ao "Salto da água" em casa de Dona Esmeralda, juntam-se ainda outras ficções noutros locais inéditos e que compõem o novo espectáculo da Comédias do Minho: "Cozida", em casa de outra idosa em Paredes de Coura, "Coração de porco" numa casa de Melgaço, "Labaredas" em barracos de pescadores em Vila Nova de Cerveira, "Uma pequena ideia de amor", numa mercearia de Monção e "Saias de Sabão", numas estufas de flores de Valença".

Ana Peixoto Fernandes, Jornal de Notícias, 3/Março/2009




No blog das Comédias do Minho podemos ler a descrição do espectáculo:


CONTRA-BANDO é um espectáculo de Teatro-Dança que se apresenta em casas de aldeia do Vale do Minho. Essas casas serão o palco de um encontro entre a terra, artistas, animais e habitantes.Todos, em conjunto, estudam os vigorosos trabalhos do campo e da dança, e através do artifício teatral, acendem em cada lareira o fogo das artes. O público, ao entrar, celebra um ilusionismo feito com aldeões que se transformam em actores, actores em homens rurais, palha que salta de lenços de assoar, sombras de santos que pairam numa sala, enguias que dançam, pão que se reparte. Um espectáculo que acorda as grandes e velhas pedras deste vale.

FICHA ARTÍSTICA

Encenação, Dramaturgia e Coreografia: Madalena Victorino

Assistência Coreográfica: Ainhoa Vidal

Interpretação e Co-Criação: Ainhoa Vidal, Miguel Fragata, Gonçalo Fonseca, Luís Filipe Silva, Mónica Tavares, Rui Mendonça, Tânia Almeida

Filme Documental: Olga Ramos e Ricardo Rezende

DATAS E LOCAIS DE APRESENTAÇÃO

Paredes de Coura - Bico - Lugar da Seara

“O salto da água” “Cozida”

27 Fevereiro Sexta-Feira 17h30

28 Fevereiro Sábado 11h30 15h00 17h30

01 de Março Domingo 11h30 15h00 17h30

Melgaço - Parada do Monte - Lugar do Paço

“Coração de porco”

06 de Março Sexta-Feira 21h00

07 de Março Sábado 11h30 16h00 21h00

08 de Março Domingo 11h30 16h00 21h00

Vila Nova de Cerveira - Campos - Lugar das Furnas

“Labaredas”

13 de Março Sexta-Feira 21h00

14 de Março Sábado 11h30 16h00 21h00

15 de Março Domingo 11h30 16h00 21h00

Monção - Lara - Mercearia dos Vilar

“Uma pequena ideia de amor”

20 de Março Sexta-Feira 17h30

21 de Março Sábado 11h30 15h00 17h30

22 de Março Domingo 11h30 15h00 17h30

Valença - Verdoejo - Estufas de Flores

“Saias de sabão”

27 de Março Sexta-Feira 21h00

28 de Março Sábado 11h30 16h00 21h00

29 de Março Domingo 11h30 16h00 21h00

CONTRA-BANDO a salto: 3 a 5 de Abril

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Pólos urbanos ganham 119 milhões

" Perto de 119 milhões de euros foram aprovados pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte para recuperar vilas e cidades no Norte. Melgaço e Caminha têm candidaturas aprovadas.

A iniciativa de reabilitação, inédita no país, abrange 49 projectos e mais de metade dos concelhos da região (44), contando com o apoio de 83 milhões de euros (70%) de fundos estruturais disponíveis no Programa Operacional Regional do Norte (ON.2).

Segundo explicou, ontem, Carlos Lage, presidente da CCDR-N, "trata-se de um programa que proporciona a todas as pequenas cidades (com menos de oito mil eleitores) a possibilidade de acederem a verbas essenciais para a regeneração urbana", tornando-se desta feita a "operação mais abrangente e ambiciosa que jamais se fez em Portugal ao nível dos centros urbanos de pequena e média dimensão".

Também Francisco Araújo, presidente da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez e do Conselho Regional do Norte, presente na apresentação do ON.2 em representação dos presidentes de Câmara do Norte do país, valorizou "este tipo de investimento que é, sem dúvida, uma boa ajuda para os pequenos centros urbanos serem pólos aglutinadores contra a desertificação".

No programa, que é visto por Carlos Lage como "uma vitamina para a reabilitação local e para a economia regional", destacam-se, na região Norte, as candidaturas de Torre de Moncorvo, Melgaço, Caminha e Monção.

À excepção de Lousada, que reúne duas candidaturas e, por isso, recebe também a maior "fatia" do ON.2 - cerca de 5,2 milhões de euros -, Torre de Moncorvo é a candidatura que receberá um maior investimento. Cerca de 2,9 milhões de euros que serão utilizados no projecto "Viver Moncorvo" , de requalificação do centro histórico e outras áreas conexas. Já Melgaço e Caminha destacam-se por receberem a mesma verba: 2,8 milhões de euros. Melgaço gastará o orçamento na regeneração da vila, enquanto Caminha investirá na requalificação do espaço público.

Monção é outro dos municípios que vê aprovado duas candidaturas, para a reabilitação do edifício Loreto, Praça da República e fosso sul da muralha".

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Conta-me como foi... (2)


Os episódios do “Conta-me como foi” gravados por estes dias em Castro Laboreiro são já da terceira temporada. Neste momento ainda está a passar a segunda, pelo que ainda vamos ter de aguardar um pouco para os podermos ver na televisão.

Em conversas com as pessoas da equipa fiquei a conhecer qual o desenrolar da história que leva a família Lopes para aquelas bandas, mas não o vou revelar aqui! Eu costumo ver a série e, como eu, outras pessoas a verão e talvez prefiram não saber antecipadamente o que vai acontecer!

De qualquer forma, posso desde já referir que a fachada da casa da Maria Carvoeira vai fazer parte do cenário...


domingo, 22 de fevereiro de 2009

Conta-me como foi...


Neste fim de semana Castro estava ao rubro...
Há muito tempo que não via tanta gente e tanta agitação na nossa terrinha :-)
Pois é... a nossa maravilhosa Terra com as suas fantáticas paisagens foi novamente eleita para "passar na televisão" :-)
Estão a ser gravadas algumas cenas da série "Conta-me Como Foi", exibida na RTP1 aos Domingos à noite...
O pessoal das filmagens é todo muito simpático e todos os figurinos são castrejos.
Ainda não sei muitos pormenores mas prometo que assim que souber partilho tudinho com vocês.. ;-)

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Evitar conflitos com pastoreio na Peneda-Gerês

" O ministro do Ambiente deixou, esta sexta-feira, em Vila Real, a garantia de que a adesão do Parque Nacional da Peneda-Gerês à rede de excelência PAN PARKS vai ser feita de molde a "não colidir com os interesses das populações locais".

É que para ostentar aquele título de privilégio, único na Península Ibérica, o Parque Nacional da Peneda-Gerês tem de ter uma área onde não exista qualquer intervenção humana. A delimitação dessa zona terá de ser discutida com os responsáveis pela rede PAN PARKS, mas pode, eventualmente, atingir os cinco mil hectares.

Porém, as restrições impostas podem tornar-se incompatíveis, nomeadamente, com a actividade dos pastores. Daí que seja necessário "encontrar uma solução para não entrar em conflito com o pastoreio no Parque", garantiu Nunes Correia.

Esta solução é uma das tarefas em que o novo director do Departamento de Gestão das Áreas Classificadas do Norte, Lagido Domingos, terá de se empenhar a fundo. Terá pela frente, certamente, muita contestação, já que os habitantes das povoações da Peneda-Gerês abrangidas pela nova classificação, não estarão propriamente dispostas a abrir mão de alguns direitos adquiridos ao longo de gerações.

O ministro parece saber o que poderá surgir pela frente e promete "ter esses direitos históricos das populações em conta". Não obstante as dificuldades esperadas, Nunes Correia não admite, pelo menos por enquanto, a eventual desistência da rede PAN PARKS. "Admito, apenas, fazer tudo até ao fim para conciliar as duas coisas", frisou."

in Jornal de Notícias, 24/Janeiro/2009