quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Brandas e Inverneiras

"Assim, tal como escreveu Orlando Ribeiro, os habitantes de Castro Laboreiro viviam «uns em povoações que habitam todo o ano, outros em brandas e invernieiras, que servem, como o nome indica, de moradias de Verão e de Inverno. São umas e outras aldeolas compactas, de casas colmadas e idênticas às [...] de construção mais cuidada na branda, como lugar onde se passa mais tempo.

As brandas estão quase todas acima de 1000 metros, junto de ribeiras, nas vertentes ou nas lombas que separam pequenos vales. As invernieiras abrigam-se nos vales da ribeira de Castro Laboreiro e dos seus tributários, por onde penetram as influências climáticas do Meio Dia, a que estão expostas; umas logo abaixo da superfície do planalto, outras nas proximidades de 700 ou 800 metros.

A população passa na branda a maior parte da Primavera, o Verão, o Outono; em Dezembro começa a baixar para a inverneira (para em baixo), onde toda a gente deve estar na noite de Natal. É verdadeira migração global, que se realiza a pé e em carro de bois, transportando-se para baixo gados, criação, utensílios, roupas e até o gato atado com um cordel a um fuelro. As casas da branda ficam fechadas e desertas enquanto duram as frialdades e tempestades de Inverno. Em Março ou Abril, isto é, pela Páscoa, sobem para a branda (para em riba), donde descem, para trabalhar a terra ou colher o renovo, por um dia, voltando a dormir à branda».

Este sistema de povoamento está hoje em dia posto em causa pelas profundas transformações decorrentes do êxodo rural, fazendo com que as inverneiras mais expostas tendam para o abandono, provocando assim uma nova mutação na paisagem.

Lugar maior deste isolado planalto do Noroeste é a povoação de Castro Laboreiro, antiga atalaia de fronteira que se ergue a cerca de 1000 m de altitude e que impressionou desfavoravelmente alguns dos forasteiros que a frequentaram. «Seus moradores ali vivem em choupanas de colmo e alguns até em covas no chão», escrevia um funcionário da Fazenda Pública em 1843, enquanto José Augusto Vieira, o autor de Minho Pitoresco (1886), acrescentava, referindo-se ao interior das habitações, ser «o que há de mais sórdido, de mais negro pelo fumo e de mais anti-higiénico...»

Construída com granito arrancado do solo, usando a madeira das matas, a palha de centeio e a urze que existia em profusão, a casa, como em muitos outros locais de Portugal, era abrigo para homens e animais e armazém de alfaias e produtos da terra. A cor e a própria forma proporcionavam uma tal integrarão na paisagem que, à distância, e tal como ainda acontece nos lugares que se mantiveram mais à margem da evolução recente, as habitações se confundiam com as formas variadas que a penedia adquire em Castro Laboreiro.

Hoje em dia todo este quadro já não corresponde à realidade, dado que o surto de construção que se abateu sobre o povoado não apenas submergiu parte importante do passado, e sobretudo muito do que ele continha de negativo, como conferiu ao todo, devido fundamentalmente aos critérios arquitectónicos e de implantação empregues, o tom incaracterístico que ora se pode observar."

In: A página não oficial da Serra mais espectacular de Portugal

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Cruzeiro da Quingosta / Cruzeira de Portos



Designação
Cruzeiro da Quingosta / Cruzeira de Portos

Localização
Viana do Castelo, Melgaço, Castro Laboreiro

Acesso
EN 202 ( Melgaço - Lamas de Mouro ), EN 203-3 para Castro Laboreiro, daqui para E. em direcção às brandas dos Portos

Enquadramento
Rural e harmonioso, o cruzeiro ergue-se no caminho que conduz às pastagens naturais do planalto de Castro Laboreiro, próximo das brandas da margem esquerda do Rio Laboreiro. A vegetação rasteira permite ampla visibilidade sobre as cumeadas orientais da Serra da Peneda.

Descrição
Cruzeiro granítico assente em soco de secção quadrada em cuja face virada a E. foi inscrita data: 1860. Sobre ele ergue-se cruz latina com haste vertical inteira de secção quadrangular formando dado com leve ressalto na face virada a E., criando um nicho pouco pronunciado. O fuste estreita levemente e sobre ele assenta peça única que constitui o prolongamento superior da haste e os braços da cruz, de igual secção quadrangular e remate trilobado.

Utilização Inicial
Devocional: cruzeiro

Utilização Actual
Devocional: cruzeiro

Propriedade
Pública: baldio

Época de Construção
Séc. 19 *

Arquitecto / Construtor / Autor
Desconhecido

Cronologia
1860 - construção do cruzeiro segundo data inscrita;
Séc. 19 / 20 - aposição de novo soco atendendo à pátina mais recente do granito.

Tipologia
Arquitectura religiosa, oitocentista. Cruzeiro de caminho oitocentista, em granito, constituído por três peças, soco, coluna simples e remate de haste e braços trilobados criando cruz latina de haste vertical inteira servindo de coluna.

Características Particulares
Destaca-se pela implantação ímpar, na orla do planalto onde se atingem as cotas mais elevadas da Peneda oriental, presidindo ao caminho que conduz às pastagens de Verão. Caracteriza-se pela simplicidade e pelo facto do remate dos braços da cruz serem [?]

Dados Técnicos
Estrutura autoportante

Materiais
Granito


* O soco que apresenta a inscrição 1860 é de talhe mais recente do que o conjunto do cruzeiro que, dadas as características estilísticas, poderia datar do século 18 ou mesmo da centúria anterior. No entanto, tendo em conta a inscrição, julgamos adequado considerá-la como cronologia do monumento.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Vá pintar e ver estrelas!

Um sábado com pincéis, moinhos, piquenique e constelações

Quadro de Paula e Manuel António faz de cartaz

"Arte e astros: assim se chama a iniciativa. Só tem de munir-se de calçado confortável, roupa quente para a noite e de uma lanterna mais € 35 para a inscrição. E deve estar no próximo sábado, às 16 horas, no Centro de Ecoturismo de Castro Laboreiro, concelho de Melgaço, na Serra da Peneda. Prepare-se para pintar e ver estrelas.

'Um suave passeio pedestre aos moinhos do Rio Laboreiro. Um piquenique na montanha. E um serão com astronomia para iniciados complementam esta actividade pensada para proporcionar momentos inesquecíveis de cultura e contacto com a natureza' - é assim o convite do projecto Ecotura, criado pelos jornalistas Anabela Moedas e Pedro Alarcão.

Em conjunto com 'aLua'- Paula Dacosta e o 'Pólen'- Manuel António, um casal de artistas plásticos, organizam um sábado diferente: uma troca de experiências e um cruzar de sentimentos que levarão à criação de um painel pintado por todos os que quiserem participar no 'Arte e Astros'.

'Este painel, dependendo do resultado, poderá vir a ficar exposto nas Portas do Parque em Lamas de Mouro. Toda a logística será assegurada pela Ecotura, desde as tintas ao piquenique. O encontro será em Castro Laboreiro no miradouro dos restaurantes e daí seguiremos para o centro de ecoturismo que se situa por cima de Castro Laboreiro, junto a uma das aldeias mais altas da freguesia', explica Pedro Alarcão ao Ciência Hoje.

Depois do passeio pedestre aos moinhos do Rio Laboreiro, terá lugar um piquenique na montanha e um serão com astronomia para iniciados complementam esta actividade 'pensada para - dizem os organizadores - proporcionar momentos inesquecíveis de cultura e contacto com a natureza'.

A noite acaba com a identificação das constelações mais simples e a observação de Júpiter e de alguns objectos do céu profundo com o telescópio.

Fonte: Ciência Hoje, 05/08/2007

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Dois meses!

Faz hoje dois meses que começámos este blog !

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

"Peneda Fiel Station" na Podre




A Estação de Campo da Peneda é uma ideia já antiga para colmatar uma necessidade que persistia na área do Parque Nacional do Gerês. Sendo o único Parque Nacional português, esta área protegida tem sido alvo de vários estudos de ecologia. Grupos de alunos e professores de ecologia podem agora usufruir de instalações dignas para fazer o trabalho de campo e ainda para realizar encontros para discutir trabalhos e resultados de estudos nacionais e internacionais em comportamento animal e conservação da natureza. Assim a ECP oferece uma sala de aulas e acomodações para grupo de 12 a 16 participantes num edificio de pedra restaurado com condições de conforto moderno e tecnologia de ponta.

Localizada na Inverneira de Podre (a 4Km de Castro Laboreiro) , agora semi-abandonada e muito próxima de um denso carvalhal onde se pode encontrar o mais antigo carvalho da região, a ECP apresenta características de construção sustentável. Equipada com paineis solares e aquecida com biomassa, a adaptação/reconstrução do edificio obedeceu a critérios determinantes para uma certificação ambiental.

O edificio original continha uma habitação no segundo piso e cortes para animais no piso térreo. A construção data dos anos 30 e consistia em alvenaria de pedra de granito e cobertura em madeira de carvalho, ambos extraidos no local. O edificio está localizado na vertente nascente do vale de Dorna.

A água é aquecida por meio de paineis solares térmicos. As torneiras têm redutores de fluxo e nos banhos as torneiras são termostáticas. As sanitas têm dupla descarga. As águas pluviais são recolhidas em tanques de rega.

O aquecimento central é feito à base de energia solar combinado com biomassa. O sistema de backup é uma salamandra de alta eficiência à base de pellets.

A Serra da Peneda faz parte do PNPG e é uma das áreas mais bem conservadas de todo o Parque. A zona perto de Castro Laboreiro (situada nos Montes Laboreiros) alberga várias espécies como o lobo, corço, gatos selvagens, garranos, víboras, ratos do campo, musaranhos, ouriços, águia real e tartaranhões. Além de observaçáo de vida selvagem, a região está dotada de lagoas naturais e património construido de elevada importância como é o caso de uma ponte romànica e outra celta e ainda de um conjunto notável de antas, aqui chamadas de mamoas (na zona do planalto de Castro Laboreiro). É recomendável a visita ao castelo de Castro Laboreiro e ao museu onde se encontra uma exposição sobre o ordenamento do território da região. Na região pode-se praticar canoagem, equitação e também apreciar a excelente gastronomia local. Perto da fronteira com o Parque De Baixa Limia- Xurés pode-se também usufruir das águas termais do Rio Caldo.


Para mais informações: Parque Nacional da Peneda-Gerês

terça-feira, 31 de julho de 2007

Pontes






Designação
Aqueduto de Pontes, Cruzeiro e Alminhas

Localização
Viana do Castelo, Melgaço, Castro Laboreiro

Acesso
EN 202 (Melgaço - Lamas de Mouro), EN 203-3 até Castro Laboreiro, EM para Ribeiro de Baixo. Caminho à Esq. para Pontes, Cç. para N. Gauss: M-197,6 P-557,9; Fl. 9

Enquadramento
Rural, isolado, junto aos campos que regava, hoje sem uso cobertos por giestal e pequenos carvalhos. Para O., uma mata de carvalhos bordeja os campos. Sob o vão maior do aqueduto passa o antigo caminho que partia de Pontes para a ponte do Porto de Bago, sobre o Laboreiro.

Descrição
Aqueduto para rega formado por canal aberto, apoiado nos topos E. e O. numa base de alvenaria de granito e vencendo cerca de 60 m sobre pilares de lajes graníticas que dão origem a 23 vãos rectos. A S. do aqueduto e a O. do caminho ergue-se um cruzeiro simples em granito, virado a E., constituído por pedestal quadrangular sobre o qual assentam umas alminhas. Sobre estas ergue-se uma cruz latina, de secção quadrada, talhada num bloco único. A base apresenta cimento nas juntas. A N. do aqueduto e a E. do caminho erguem-se umas alminhas de labor grosseiro, viradas a O. Sobre uma base sumariamente quadrangular, talhada apenas na parte anterior, assenta um bloco granítico no qual se rasgou um pequeno nicho encimado por um cruz latina em alto-relevo.

Utilização Inicial
Agrícola / equipamento (aqueduto para aproveitamento) / Devocional (cruzeiro e alminhas)

Utilização Actual
Devoluto

Propriedade
Privada: pessoa singular

Época de Construção
Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor
Não definido

Cronologia
Séc. 20, 4ª década - construção a mando do P.e Manuel Joaquim Rodrigues;
Séc. 20, 9ª década - cessa a utilização.


Tipologia
Aqueduto de rega em alvenaria de granito formado por canal aberto assente sobre pilares.

Características Particulares
Sacralização do aqueduto, pela aposição de um cruzeiro e de alminhas, dada a relação que teve com um importante caminho de ligação entre brandas e inverneiras.

Dados Técnicos
Estrutura autoportante (aqueduto e cruzeiro), estrutura monolítica (alminhas).

Materiais
Granito, cimento.

Observações
O P.e Manuel Joaquim Rodrigues que terá mandado edificar o aqueduto e presa que lhe está associada era natural do lugar de Pontes, freguesia de Castro Laboreiro, na qual foi pároco por poucos anos após ter regressado de estadia longa no Brasil.

segunda-feira, 30 de julho de 2007