segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Rali Do Alvarinho
Video do Rali do Alvarinho 2007
Decorreu no passado fim de semana, dia 6 e 7 de Setembro, O Rali do Alvarinho.
Tive a oportunidade de ver a chegada dos concorrentes no final de uma etapa no 2º dia que terminava em Pomares. E foi muito interessante…
Os inscritos chegaram ao cerca de 60, amadores e profissionais, mas no 2º dia eu so tive oportunidade de ver cerca de metade. Muitos ficaram “pelo caminho”, tanto no dia anterior como nesse mesmo dia, na prova que eu vi, muitos já não aguentaram a subida de Saínde.
No entanto o Rali decorreu sem incidentes de grande relevância. Para tal muito contribuiu a colaboração das populações locais e também os elementos da GNR de Melgaço, Monção e Valença destacados para o evento. E assim, a competição foi um sucesso J
A Câmara Municipal de Melgaço e Monção estão agora empenhadas em promover a prova para que esta entre no circuito do Campeonato Nacional.
Este ano o Rali do Alvarinho contou já com a participação especial da equipa que disputa o Campeonato De Portugal de Ralis BPN/Portimão Rali Team, Nuno Barroso Pereiro e Nuno Rodrigues da Silva.
Mas, a grande percentagem de concorrentes espanhóis foi bem visível. Manuel Redondo, que venceu o Rali no ano passado, voltou a vencer este ano ao valente de um Fiat Punto S2000.
O Piloto chegou a dizer antes da prova, “Nos gostaria volver a intentar ganar la prueba, es um rallye que nos encanta”.
Na minha opinião iniciativas como esta são de louvar, a nossa Terra tem muito para dar e uma promoção deste género é sempre boa. So faltava para o ano, haver uma especial em Castro Laboreiro. Sítios e trajectos fantásticos para isso não faltam com certeza.
domingo, 7 de setembro de 2008
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
"Se eu soubesse que ia ser assim..."
No próximo sábado, dia 30 de Agosto, às 21h, no Hotel Castrum Villae, será apresentada a peça "Se eu soubesse que ia ser assim...", encenada por Pedro Ribeiro, a partir de textos de Luísa Costa Gomes.
domingo, 24 de agosto de 2008
terça-feira, 19 de agosto de 2008
"Atmosfera impenetrável de fumo"
No artigo “A linguagem dos objectos e a criação de significado no espaço doméstico: um repertório de afectos”, Carolina Leite, do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho, recorrendo a um artigo de Castro Caldas de 1943 *, refere que:
“Depois de uma descrição minuciosa das formas construtivas e dos poucos materiais de construção utilizados (pedra, talhada em blocos), já que a cal a argamassa eram raros, isto para não falar na madeira, pois segundo o autor era material que apenas se destinava à construção das coberturas e dos pavimentos, este prossegue, acrescentando detalhes quanto à tipologia dominante local:
«O edifício destinado a moradia tem dois compartimentos separados por uma divisória de tábuas de pinho apenas justapostas», cada um deles com uma área de cerca de 9 m2 (Castro Caldas, 1943: 83). Num destes compartimentos encontra-se a lareira, ao centro, enquanto o outro é destinado a quarto de dormir, do casal e de duas filhas. Como se pode ler, são divisões mal arejadas e onde a falta de uma chaminé impede a saída do fumo e a renovação do ar. Existem depois os espaços de armazém e da corte do gado. Esta concepção rudimentar do interior doméstico permanece ainda hoje visível em numerosas habitações rurais que mantiveram a sua estrutura ancestral.
A casa que o autor nos faz visitar situa-se na freguesia de Castro Laboreiro, no concelho de Melgaço. O espaço doméstico organiza-se em torno da lareira, numa atmosfera “impenetrável de fumo” marcada pelo extremo desconforto (Castro Caldas, 1943: 80). Todos os bens existentes na casa, entre mobiliário e utensílios domésticos, descritos de forma exaustiva num inventário a que não faltam o cálculo do valor de compra e do valor estimado à data do inquérito, correspondem à lista que a seguir transcrevemos:
2 camas de pinho, com colchão;
1 cama de pinho com colchão;
1 banco de lareira;
1 banco comprido sem costas;
1 banco pequeno;
1 armário de parede;
1 armário tosco;
1 masseira de pinho;
2 arcas de castanho;
1 máquina «Singer», modelo antigo.
A lista dos utensílios não é longa:
3 potes de ferro;
23 garfos;
26 colheres;
3 facas;
2 almotolias;
1 caneco para a água;
1 peneira;
1 lampião;
1 candeio.
Acrescentam-se ainda, no capítulo das louças e vidros:
“Depois de uma descrição minuciosa das formas construtivas e dos poucos materiais de construção utilizados (pedra, talhada em blocos), já que a cal a argamassa eram raros, isto para não falar na madeira, pois segundo o autor era material que apenas se destinava à construção das coberturas e dos pavimentos, este prossegue, acrescentando detalhes quanto à tipologia dominante local:
«O edifício destinado a moradia tem dois compartimentos separados por uma divisória de tábuas de pinho apenas justapostas», cada um deles com uma área de cerca de 9 m2 (Castro Caldas, 1943: 83). Num destes compartimentos encontra-se a lareira, ao centro, enquanto o outro é destinado a quarto de dormir, do casal e de duas filhas. Como se pode ler, são divisões mal arejadas e onde a falta de uma chaminé impede a saída do fumo e a renovação do ar. Existem depois os espaços de armazém e da corte do gado. Esta concepção rudimentar do interior doméstico permanece ainda hoje visível em numerosas habitações rurais que mantiveram a sua estrutura ancestral.
A casa que o autor nos faz visitar situa-se na freguesia de Castro Laboreiro, no concelho de Melgaço. O espaço doméstico organiza-se em torno da lareira, numa atmosfera “impenetrável de fumo” marcada pelo extremo desconforto (Castro Caldas, 1943: 80). Todos os bens existentes na casa, entre mobiliário e utensílios domésticos, descritos de forma exaustiva num inventário a que não faltam o cálculo do valor de compra e do valor estimado à data do inquérito, correspondem à lista que a seguir transcrevemos:
2 camas de pinho, com colchão;
1 cama de pinho com colchão;
1 banco de lareira;
1 banco comprido sem costas;
1 banco pequeno;
1 armário de parede;
1 armário tosco;
1 masseira de pinho;
2 arcas de castanho;
1 máquina «Singer», modelo antigo.
A lista dos utensílios não é longa:
3 potes de ferro;
23 garfos;
26 colheres;
3 facas;
2 almotolias;
1 caneco para a água;
1 peneira;
1 lampião;
1 candeio.
Acrescentam-se ainda, no capítulo das louças e vidros:
10 pratos, 3 travessas, 4 copos, 6 garrafas, 4 malgas, 2 alguidares.
E, finalmente, as roupas de casa:
6 lençóis, 2 travesseiros, 6 mantas, 4 mantas, 5 metades de manta, 4 toalhas de mesa e uma toalha de rosto.
Se tentássemos igual inventário na actualidade, nas famílias que embora tendo nascido e vivido neste cenário, o abandonaram, trocando-o por outro destino, no país ou no estrangeiro, seríamos confrontados com a enorme dificuldade em repertoriar todos os objectos presentes na casa, dada a sua multiplicação provável em muitas dezenas de novos objectos, alguns dos referidos e muitos outros entretanto acrescentados.
A progressiva acessibilidade à abundância de objectos veio transformar este cenário, até há pouco dominante em largas zonas do país, passando-se, no curto espaço de duas ou três décadas, da precaridade à abundância, da estrita funcionalidade dos objectos artesanais para o discurso da sua preservação (e isto em nome da salvaguarda de savoir-faire artesanais ameaçados de liquidação total pela avalanche imposta pela reprodução industrial)”.
* Caldas, Castro (1943), “A habitação rural no Minho Interior ou Alto Minho”, in Basto, E. A. Lima; Barros, Henrique de, Inquérito à Habitação Rural, 1.º volume, Universidade Técnica de Lisboa, Lisboa, pp. 73-136
Fonte: Leite, Carolina (2000), “A linguagem dos objectos e a criação de significado no espaço doméstico: um repertório de afectos”, in Comunicação e Sociedade 2, Cadernos do Noroeste, Série Comunicação, Vol. 14 (1-2), pp. 205-216
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
terça-feira, 5 de agosto de 2008
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