terça-feira, 30 de setembro de 2008

Espanhóis na corrida à uva do Alvarinho


" A escassez de uva em Espanha está a provocar uma corrida de compradores, em grandes quantidades e "a dinheiro na mão", à sub-região de Monção e Melgaço. Os produtores aproveitam para vender a preços mais aliciantes.

Em plena época da vindima na sub-região produtora de Alvarinho, poucos são os que desconhecem esta realidade: Sempre que as produções baixam do seu lado, a Galiza vira-se para Portugal. "Os espanhóis estão a comprar uva, principalmente Alvarinho, em Melgaço e Monção. Isto é cíclico, quando há anos de menor produção, eles procuram no lado português, com mais poder de compra como têm, adquirir uvas", afirma o presidente da câmara de Melgaço, Rui Solheiro, admitindo que a situação "cria alguma instabilidade no mercado. Para quem vende a uva, tem a vantagem de eventualmente vendê-la mais cara, mas tem o inconveniente para as adegas de terem dificuldade de garantirem quantidade suficiente de uva e para o produtor que se ilude com essa venda circunstancial, sem perceber que é importante manter quem consome anualmente as uvas e não quem o faz acidentalmente".

"Há muito português a vender aos espanhois, porque lá há escassez. Eles vêm aí com antecedência vêem a uva, fecham negócio e depois na vindima vem cá buscá-la", afirmou um habitante de Melgaço, que pediu anonimato, revelando: "um dia destes veio aí um espanhol buscar quase uma tonelada de uva tinta". Neste concelho, apesar de ninguém o assumir às claras, é voz corrente que "os galegos andam malucos a comprar uva porque lá não têm".

Armando Fontainhas, da Adega de Monção, que recebe boa parte da produção de vinho dos concelhos de Monção e Melgaço, lamenta:"Os espanhóis nos anos em que não há lá vem cá comprar, mas quando há excedente temos se ser nós a ficar com a uva toda". "

Ana Peixoto Fernandes, Jornal de Notícias, 27/09/2008

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Distrito perdeu 113 escolas primárias em três anos

« O distrito de Viana do Castelo conta este ano lectivo com 145 escolas primárias, menos 113 do que em 2005-2006, mas a tendência é para reduzir ainda mais, com a aposta na construção de centros escolares.

Em relação ao ano lectivo anterior, o distrito perde 15 escolas, concretamente oito em Arcos de Valdevez (passa de 17 para nove), seis em Ponte de Lima (de 35 para 29) e uma em Viana do Castelo (de 48 para 47).

Os restantes concelhos mantêm exactamente o mesmo número de escolas do ano anterior: nove em Monção, 14 em Ponte da Barca, 11 em Caminha, 10 em Vila Nova de Cerveira, 10 em Valença, cinco em Melgaço e uma em Paredes de Coura.

As 145 escolas que vão funcionar este ano lectivo constituem exactamente metade do número de freguesias do distrito (290).

No entanto, o número de escolas tende a reduzir ainda mais com a aposta dos municípios na construção de centros escolares.

É o que acontecerá em Melgaço, onde no final do início do ano lectivo 2009/2010 abrirá, na sede do concelho, um centro educativo que vai acolher os alunos da zona ribeirinha da vila, o que significará o fecho definitivo das cinco "primárias" que ainda resistem.

A Câmara de Melgaço foi, aliás, a primeira do País a construir um centro escolar, em 2000, quando abriu em Pomares uma estrutura para concentrar todos os alunos das sete freguesias serranas, o que permitiu o encerramento de sete escolas primárias.

Em Ponte da Barca, onde já existe um centro escolar na sede do concelho, a Câmara vai construir mais duas estruturas do género, que deverão abrir também no ano lectivo 2009/2010 e que permitirão o encerramento das 15 escolas primárias que este ano ainda abrirão portas noutras tantas freguesias.

Em Vila Nova de Cerveira, dentro de dois anos os alunos do primeiro ciclo deverão igualmente estar concentrados em três centros escolares, estando prevista a construção de estruturas idênticas em praticamente todos os outros concelhos do distrito.

É o caso de Valença, onde este ano lectivo vão continuar abertas duas escolas com menos de 10 alunos, em Boivão e Verdoejo, que, no entanto, têm os meses contados, já que em 2009/2010 os alunos destas freguesias serão transferidos para o centro escolar que vai ser construído em Friestas.

Viana do Castelo tem em fase de início de construção os centros Escolares de Mujães, Perre e Santa Marta, num investimento superior a quatro milhões de euros.

Em Paredes de Coura, o problema já está resolvido desde 2004, ano em que a Câmara optou pela concentração do primeiro ciclo num único edifício, construído de raiz, face ao cada vez mais reduzido número de alunos, uma situação que levava a que a maioria das escolas estivesse "praticamente às moscas". »

in: Jornal de Notícias, 15/Setembro/2008

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Rali Do Alvarinho


Video do Rali do Alvarinho 2007

Decorreu no passado fim de semana, dia 6 e 7 de Setembro, O Rali do Alvarinho.
Tive a oportunidade de ver a chegada dos concorrentes no final de uma etapa no 2º dia que terminava em Pomares. E foi muito interessante…
Os inscritos chegaram ao cerca de 60, amadores e profissionais, mas no 2º dia eu so tive oportunidade de ver cerca de metade. Muitos ficaram “pelo caminho”, tanto no dia anterior como nesse mesmo dia, na prova que eu vi, muitos já não aguentaram a subida de Saínde.
No entanto o Rali decorreu sem incidentes de grande relevância. Para tal muito contribuiu a colaboração das populações locais e também os elementos da GNR de Melgaço, Monção e Valença destacados para o evento. E assim, a competição foi um sucesso J
A Câmara Municipal de Melgaço e Monção estão agora empenhadas em promover a prova para que esta entre no circuito do Campeonato Nacional.
Este ano o Rali do Alvarinho contou já com a participação especial da equipa que disputa o Campeonato De Portugal de Ralis BPN/Portimão Rali Team, Nuno Barroso Pereiro e Nuno Rodrigues da Silva.
Mas, a grande percentagem de concorrentes espanhóis foi bem visível. Manuel Redondo, que venceu o Rali no ano passado, voltou a vencer este ano ao valente de um Fiat Punto S2000.
O Piloto chegou a dizer antes da prova, “Nos gostaria volver a intentar ganar la prueba, es um rallye que nos encanta”.
Na minha opinião iniciativas como esta são de louvar, a nossa Terra tem muito para dar e uma promoção deste género é sempre boa. So faltava para o ano, haver uma especial em Castro Laboreiro. Sítios e trajectos fantásticos para isso não faltam com certeza.

domingo, 7 de setembro de 2008

Dicionário Castrejo

"TRASTABULHO" = pessoa que fala muito (e por vezes não diz nada de jeito :-) )

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

"Se eu soubesse que ia ser assim..."


No próximo sábado, dia 30 de Agosto, às 21h, no Hotel Castrum Villae, será apresentada a peça "Se eu soubesse que ia ser assim...", encenada por Pedro Ribeiro, a partir de textos de Luísa Costa Gomes.

domingo, 24 de agosto de 2008

Dicionário Castrejo

"ABOUJADO" = surdo; também utilizado como conotação de tonto, pateta.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

"Atmosfera impenetrável de fumo"

No artigo “A linguagem dos objectos e a criação de significado no espaço doméstico: um repertório de afectos”, Carolina Leite, do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho, recorrendo a um artigo de Castro Caldas de 1943 *, refere que:

“Depois de uma descrição minuciosa das formas construtivas e dos poucos materiais de construção utilizados (pedra, talhada em blocos), já que a cal a argamassa eram raros, isto para não falar na madeira, pois segundo o autor era material que apenas se destinava à construção das coberturas e dos pavimentos, este prossegue, acrescentando detalhes quanto à tipologia dominante local:

«O edifício destinado a moradia tem dois compartimentos separados por uma divisória de tábuas de pinho apenas justapostas», cada um deles com uma área de cerca de 9 m2 (Castro Caldas, 1943: 83). Num destes compartimentos encontra-se a lareira, ao centro, enquanto o outro é destinado a quarto de dormir, do casal e de duas filhas. Como se pode ler, são divisões mal arejadas e onde a falta de uma chaminé impede a saída do fumo e a renovação do ar. Existem depois os espaços de armazém e da corte do gado. Esta concepção rudimentar do interior doméstico permanece ainda hoje visível em numerosas habitações rurais que mantiveram a sua estrutura ancestral.

A casa que o autor nos faz visitar situa-se na freguesia de Castro Laboreiro, no concelho de Melgaço. O espaço doméstico organiza-se em torno da lareira, numa atmosfera “impenetrável de fumo” marcada pelo extremo desconforto (Castro Caldas, 1943: 80). Todos os bens existentes na casa, entre mobiliário e utensílios domésticos, descritos de forma exaustiva num inventário a que não faltam o cálculo do valor de compra e do valor estimado à data do inquérito, correspondem à lista que a seguir transcrevemos:

2 camas de pinho, com colchão;
1 cama de pinho com colchão;
1 banco de lareira;
1 banco comprido sem costas;
1 banco pequeno;
1 armário de parede;
1 armário tosco;
1 masseira de pinho;
2 arcas de castanho;
1 máquina «Singer», modelo antigo.

A lista dos utensílios não é longa:

3 potes de ferro;
23 garfos;
26 colheres;
3 facas;
2 almotolias;
1 caneco para a água;
1 peneira;
1 lampião;
1 candeio.

Acrescentam-se ainda, no capítulo das louças e vidros:

10 pratos, 3 travessas, 4 copos, 6 garrafas, 4 malgas, 2 alguidares.

E, finalmente, as roupas de casa:

6 lençóis, 2 travesseiros, 6 mantas, 4 mantas, 5 metades de manta, 4 toalhas de mesa e uma toalha de rosto.

Se tentássemos igual inventário na actualidade, nas famílias que embora tendo nascido e vivido neste cenário, o abandonaram, trocando-o por outro destino, no país ou no estrangeiro, seríamos confrontados com a enorme dificuldade em repertoriar todos os objectos presentes na casa, dada a sua multiplicação provável em muitas dezenas de novos objectos, alguns dos referidos e muitos outros entretanto acrescentados.

A progressiva acessibilidade à abundância de objectos veio transformar este cenário, até há pouco dominante em largas zonas do país, passando-se, no curto espaço de duas ou três décadas, da precaridade à abundância, da estrita funcionalidade dos objectos artesanais para o discurso da sua preservação (e isto em nome da salvaguarda de savoir-faire artesanais ameaçados de liquidação total pela avalanche imposta pela reprodução industrial)”.

* Caldas, Castro (1943), “A habitação rural no Minho Interior ou Alto Minho”, in Basto, E. A. Lima; Barros, Henrique de, Inquérito à Habitação Rural, 1.º volume, Universidade Técnica de Lisboa, Lisboa, pp. 73-136


Fon
te:
Leite, Carolina (2000), “A linguagem dos objectos e a criação de significado no espaço doméstico: um repertório de afectos”, in Comunicação e Sociedade 2, Cadernos do Noroeste, Série Comunicação, Vol. 14 (1-2), pp. 205-216