terça-feira, 2 de novembro de 2010

Cães de Gado


Autores: Paulo Caetano, Joaquim Pedro Ferreira e Sílvia Ribeiro

Editora: Bizâncio

PVP: € 27,25




Do lobo ao cão. E do cão ao cão de gado. Foi longa e tortuosa a evolução. Difícil. Mas as características que, actualmente, estão fixadas nas raças nacionais de cães de gado constituem um património genético invejável. Que não se pode perder. Contribuir para a preservação dos cães de gado e para divulgar a exigente tarefa que constitui o árduo quotidiano destes cães é o desafio deste livro. Esta obra vive da imagem e dos testemunhos de pastores e investigadores – plena de cor, acção e dramatismo. Para o leitor constituirá o regresso a um universo que julga perdido: o mundo rural, com os cães em acção guardando rebanhos e manadas, defendendo-os dos lobos e realizando combates de vida ou morte. Os cenários são naturais: as grandes serranias a norte do Douro, os cumes de Castro Laboreiro, os alcantis da Peneda, as encostas do Alvão. Aí, nesses ambientes selvagens, veremos como se entrecruzam destinos: ovelhas e vacas das ameaçadas raças autóctones, velhos pastores armados com cães e cajados. E como sobrevivem os velhos costumes e saberes – ante o desaparecimento de tradições como a transumância.


Entrevista a Paulo Caetano:

O que são cães de gado e desde quando existem?

Cães de gado são cães que têm como função defender o gado, quer se trate de rebalhos de ovelhas e cabras - que é o caso mais comum -, quer sejam manadas de vacas e cavalos ou mesmo varas de porcos. É dificil saber desde quando os cães desempenham esta função, mas podemos afirmar com alguma segurança quecães existem deste que o Homem domesticou o gado e que, para o manter alimentado, precisava de o acompanhar em busca de pastagens frescas. Como esses rebanhos, durante as suas deslocações, eram particularmente vulneráveis aos predadores - como os lobos, linces, ursos ou outros homens - começaram-se a utilizar cães de grande porte na sua protecção. Diria que os cães de gado, que mais tarde darão origem às raças actuais, têm alguns milhares de anos.


Num mesmo rebanho, podem coexistir cães que conduzem o gado e cães que o protege do ataque dos predadores. Qual a função específica de cada um?

A própria designação ajuda a perceber a função. O cão de gado é o que protege, o cão pastor ou cão de condução é o que conduz o rebanho ou a manada, seguindo as indicações do dono. E claro que podem e devem coexistir num mesmo rebanho, convivendo pacificamente uns com os outros, quando bem socializados.


Em Portugal, quais são as raças de cão que melhor se adaptam a este trabalho?

As raças portuguesas de cães de gado são o Cão de Castro Laboreiro, o Cão da Serra da Estrela, o Cão Rafeiro do Alentejo e o Cão de gado Transmontano - a raça mais recente em termos oficiais.


São raças geneticamente próximas?

Sim, muito próximas! Umas mais do que outras, porque várias raças estavam confinadas ao seu solar de origem e os gados da região apenas faziam pequenas deslocações e os acessos montanhosos impunham um grande isolamento. É o caso do Castro Laboreiro ou do Cão de Gado Transmontano. Já entre o Rafeiro do Alentejo e o Serra da Estrela existe grande proximidade porque, tradicionalmente, os rebanhos transumantes da Estrela passavam os meses do Outono e do Inverno nos campos do Alentejo ou da Idanha, e os cães acompanhavam essas deslocações, cobrindo fêmeas ou parindo fora do seu solar...


Como se treina um cão de gado?

Não se treina. O cão deve nascer numa corte do gado - ou ser lá colocado mal é desmamado - e deve socializar com os membros do rebanho que vai defender. Para ele, o gado passa a ser a sua família, que defenderá mesmo que tenha de arriscar a sua vida a lutar com um predador.


Como é que o cão e o gado interagem?

O cão integra-se no rebanho, acompanha-o para onde quer que vá. Descansando quando o rebanho pasta, movendo-se à sua frente ou no meio dos outros animais durante as caminhadas. Com frequência, o cão lambe os recém-nascidos do rebanho num gesto de aceitação na família e de reconhecimento. Quando é juvenil, brinca com as cabras ou as ovelhas, como faria com outro cão ou com um humano.


Há algum tipo de apoio, em Portugal, a quem crie, treine e trabalhe com estes cães?

O Grupo Lobo e o Parque Natural de Montesinho têm em terreno vários projectos que pretendem promover estas raças de cães, fomentar a sua criação e o seu uso na pastorícia. Compram cães, oferecem-nos a pastores, garantem parte da sua alimentação e cuidados veterinários, acompanham a sua integração nos rebanhos de risco, aqueles que, com frequência, sofrem prejuízos causados pelos lobos.


Assim como a transumância desapareceu no nosso país, a pastorícia é também uma prática cada vez menos utilizada. De que forma este abandono da pastorícia tem afectado a sobrevivência dos cães de gado portugueses?

O confinamento do gado a estábulos ou cercados, a perda dos saberes tradicioinais e das artes antigas, a desvalorização do mundo rural e dos seus produtos está, de facto, a matar a pastorícia de percurso e, com ela, os cães de gado. Estas raças estão muito ameaçadas e os exemplares vão deixando de ser usados em trabalho, ficando como cães de companhia ou como guardas de propriedades. Se quisermos defender e fomentar estas raças, temos também de valorizar as raças autóctones de gado, vocacionadas para os nossos espaços geográficos, e os produtos que eles produzem. Se o fizemos, estamos a defender um vasto e antigo património biológioc e cultural que nos identifica e distingue enquanto povo.


Os Bichos, 29-10-2010

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Exposição de pintura em Melgaço


A Galeria da Casa da Cultura de Melgaço, na Avenida Salgueiro Maia, tem patente ao público uma mostra de pintura intitulada “O Meu Mundo”, da autoria de Ricardina Silva.

A exposição decorre entre os dias 2 e 30 de Novembro e estará aberta ao público de segunda a sexta-feira das 9H30 às 12H30 e das 14H00 às 18H00, ao sábado das 9H30 às 12h30, das 14H00 às 18H00 e das 21H00 às 0H30. A entrada é livre.

Jornal Reconquista, 28-10-2010

Museu da lanterna mágica em Melgaço

A caixa óptica que marcou toda a era do Cinema, a lanterna mágica, é a protagonista principal do "Museu de Cinema de Melgaço Jean Loup Passek". Com o nome do coleccionador francês que doou todo o seu espólio cinematográfico a uma terra do interior do Alto Minho, pela qual se encantou, o espaço museológico integra diversas lanternas mágicas de diferentes épocas.

Conta-se através destes aparelhos e muitos outros de nomes, por vezes, complicados de pronunciar, o desenrolar da história da Sétima Arte. Vale a pena visitar a colecção de Passek num antigo posto de Guarda Fiscal adaptado a museu.

No espaço inaugurado a dias da entrada do Verão de 2005, a colecção do cinéfilo francês é exibida numa exposição permanente que se distribui por várias salas do rés-do-chão. No primeiro andar, pode ser visitada uma exposição temporária sobre «O auge do Cinema Japonês de 1940 a 1990», que reúne fotografias e cartazes dos filmes japoneses mais emblemáticos. Cada fotografia tem identificados o título do filme e o ano da respectiva estreia.

Mas vamos aos aparelhos da época que antecedeu o cinematógrafo dos Irmãos Lumiére. No espaço principal dedicado ao "pré-cinema", há lanternas mágicas com as respectivas caixas e placas de vidro pintadas à mão e dispositivos com o nome de fenaquistiscópios (com os respectivos discos), zootropos e praxinoscópios. Tudo aparelhos muito populares junto do público no século XIX.

Ainda na mesma sala estão expostos cartazes que ilustram a evolução do cinema desde as suas origens até ao cinematógrafo, entre eles um dos primeiros que anunciavam cinema em sala. Já na recepção do museu, podem observar-se mais lanternas mágicas, desta vez do tipo americanas electrificadas.

Há ainda uma outra sala, a do "Mundo Novo", onde novamente se encontram aparelhos que marcaram a história do cinema, só que aqui em vez de originais há "uma reprodução de uma reprodução" de uma caixa óptica para diorama teatral. Trata-se da combinação de uma lente frontal e de um espelho situado a 45º graus que permite a sucessão de imagens contendo cada uma um detalhe suplementar em relação à precedente, criando a ilusão de perspectiva e de profundidade do campo.

Existe, também, uma reprodução de um «peep - show». Caixa óptica com um ou mais óculos que permite visualizar imagens por reflexo (efeito dia) ou transparência (efeito noite). O museu de Melgaço dispõe, finalmente, de um pequeno auditório, onde se podem observar, para além de algumas fotografias e dedicatórias sobre o cinema português, filmes sobre a exposição temporária presente no museu.


Ana Peixoto Fernandes, Jornal de Notícias, 28-10-2010

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

"Parto" de António Borges Correia


Vi e recomendo:




"Parto", de António Borges Correia (Portugal, 2010, 82')



"Num vale remoto da serra da Peneda há um homem que morreu. Partiu. É preciso ir buscá-lo para lhe dar o funeral. O agente funerário Olegário, acompanhado por Raul e Carlos, montam a urna numa pick-up e seguem serra acima. Vai ser um serviço para uma longa jornada".


Melgaço: 3,75 M€ para requalificar termas do Peso


A Câmara de Melgaço aprovou a constituição de uma parceria público privada para a requalificação integral do Parque Termal do Peso, um investimento de 3,75 milhões de euros para concretizar até Janeiro de 2013.

O presidente da Câmara de Melgaço, Rui Solheiro, disse hoje à agência Lusa que a principal aposta será na área da terapia, especialmente no tratamento da diabetes, uma vez que as águas termais do concelho são «recomendadas» para o combate a essa patologia.

«Mas a vertente do lazer também não será, de todo, descurada», acrescentou o autarca socialista.


Diário Digital, 20-10-2010

Eólicas excluídas do Parque Nacional do Gerês

Autarcas queixam-se de que Governo continua sem autorizar a instalação na região de aerogeradores para produção de energia.


Apesar da insistência das populações, o Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda Gerês (PNPG), a publicar até ao final do ano, vai continuar a excluir a possibilidade de instalação de aproveitamentos eléctricos como aerogeradores ou mini-hídricas, apurou o DN. Isto apesar de haver algumas cedências noutros pontos do documento inicial após a sua consulta pública. Aerogeradores no parque é que está fora de questão.

"Vamos fazer barulho para que seja possível ou então que nos compensem de alguma forma. Mas em Lisboa o que se quer é um parque sem pessoas, só com animais. Neste momento, os animais menos protegidos somos nós, as pessoas", insurgiu-se ao DN o presidente da Junta do Soajo. Manuel Costa é um dos principais rostos da contestação às imposições colocadas a qualquer actividade no PNPG. O que só serve para "levar os novos para longe", acusa. "É uma terra que agora, chega o Inverno, e a partir das 18.00, não se vê ninguém. É a desertificação total. Ficam só os animais", acrescenta.

A ministra do Ambiente, Dulce Pássaro, garantiu esta semana que o plano de ordenamento, alvo de muitas críticas pelas populações dos cinco concelhos que integram estará publicado até final do ano. "O período de consulta pública terminou. Houve muitas sugestões, críticas, negativas e positivas, e, agora, analisados esses contributos e a sua compatibilidade com a legislação comunitária, que é preciso respeitar, está-se a ultimar o documento", afirmou.

"A senhora ministra vai ter de ceder em alguma coisa. Porque o PNPG não tem gente nem tem dinheiro", diz Manuel Costa. Uma das medidas mais contestadas, e simples, do Plano - a necessidade de que qualquer intervenção tivesse o aval técnico de um dos arquitectos - já terá sido abolida. Assim como a garantia de apoio, como reclamavam os autarcas locais, à recuperação de antigas casas de florestais, pontões e outros estradões do parque.

De fora está a possibilidade de a serra, apesar dos promotores interessados, vir a receber as torres eólicas, um garante de investimento e lucros para as localidades.


Paulo Julião, Diário de Notícias, 20-10-2010

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Pescadores do rio Minho admitem cessar actividade

A portaria nº 247/2010 “penaliza gravemente” a pesca sazonal e tradicional no rio Minho, no concelho e a montante. Pode estar em causa o abandono da actividade, dizem os pescadores.

A Assembleia Municipal de Vila Nova de Cerveira aprovou uma moção a contestar aquele diploma, publicado a 3 de Maio, argumentando que a sua aplicabilidade “irá originar o abandono da pesca sazonal e tradicional pela quase totalidade dos pescadores do rio Minho” acarretando “prejuízos económicos e crispações sociais junto das comunidades piscatórias”.

Actividade complementar com usos e costumes ancestrais

A moção proposta pelos deputados municipais do PS, que foi aprovada por unanimidade, defende que, enquanto a actual lei e respectivos regulamentos não forem discutidos com os pescadores sazonais, a presente época de faina piscatória no rio Minho deve iniciar-se nos mesmos moldes dos anos anteriores.

O documento argumenta que os novos regulamentos não fazem distinção entre pescadores profissionais e sazonais nem consideram as especificidades próprias de cada zona de pesca no troço do rio Minho, muito diferentes entre o estuário e o percurso a montante — Vila Nova de Cerveira, Valença, Monção e Melgaço.

Moção enviada ao ministro sustentada em abaixo-assinado

Remetida ao ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das e Pescas, ao secretário de Estado da Agricultura e Pescas, ao director-geral das Pescas e Aquicultura e ao comandante da Capitania do Porto de Caminha, aquela moção de apoio reafirma o propósito defendido por gerações de “homens do rio” de respeitar os usos e costumes ancestrais desta actividade complementar importante para o sustento de várias famílias.

A decisão fundamentou-se num abaixo-assinado com 146 assinaturas promovido pelos pescadores de Vila Nova de Cerveira, onde é referido que a nova portaria defende os pescadores que fainam no concelho de Caminha e esquece as comunidades piscatórias de Vila Nova de Cerveira, Valença, Monção e Melgaço.

Pescadores lembram anos 60

Os pescadores sustentam que no concelho de Caminha se pescam durante todo o ano diferentes espécies — lampreia, sável, meixão, solha e peixe branco — enquanto nos concelhos a montante a pesca resume-se a cinco meses e a duas espécies: lampreia e sável.
Acrescentam que, no final de uma época de pesca, a captura em Caminha é substancialmente maior do que nos restantes concelhos do rio Minho.

Por isso, entendem que deve ter-se em consideração o que acontecia na década de 60 do século passado, onde o imposto a aplicar diferenciava os pescadores em função do local onde exerciam a sua actividade: os pescadores de Caminha pagavam 15% sobre o peixe capturado ao passo que em Vila Nova de Cerveira pagava-se 7%.

Com as novas regras, adianta ainda o abaixo-assinado, os pescadores de Caminha não terão dificuldade em cumprir o estipulado na Portaria n.º 247/2010 enquanto os pescadores de Vila Nova de Cerveira, Valença, Monção e Melgaço não conseguirão atingir os valores necessários para renovar as suas licenças, obrigando ao abandono da pesca nestes concelhos.

Rui Serapicos, Correio do Minho, 18-10-2010