terça-feira, 30 de novembro de 2010

Melgaço: Passeio de Kartcross pela Rota do Alvarinho


Com o frio a apertar, é preciso largar lareiras e aquecedores e arranjar uma forma de nos mexermos. A sugestão que lhe apresentamos promete adrenalina e aventura. Trata-se de um passeio em Kartcross, que como o nome indica são uma espécie de karts, mas preparados para todo o terreno, na região de Melgaço, distrito de Viana do Castelo. O passeio “Rota do Alvarinho" passa por vários pontos de interesse do concelho, permitindo desfrutar de uma variedade de paisagens diferentes. O final do percurso reserva-lhe a visita a uma quinta onde se produz o vinho Alvarinho e a uma adega local. O passeio tem a duração de cerca de duas horas e meia e há duas partidas por dia: às 10h00 e às 15h00. Acontece todos os fins-de-semana, sob marcação, e o preço é de €95, o que inclui um Kartcross para duas pessoas, capacete, fato de protecção e luvas, seguro, visita à adega com provas e petiscos e reportagem fotográfica do passeio.


Mais informações aqui. [fotos do site Kartcross Portugal]

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Agros e Tetra Pak na reflorestação do Parque Nacional Peneda-Gerês


Por cada embalagem de leite Agros UHT ou Biológico depositada correctamente no ecoponto amarelo, a Agros e a Tetra Pak vão contribuir com três cêntimos para a regeneração do Parque Nacional Peneda-Gerês. “O melhor para si e para a natureza” é o mote da campanha, cuja verba angariada vai ser aplicada com a supervisão do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade.

«A preservação da natureza e do património ambiental fazem parte da génese da marca Agros» afirma Cristina Vasconcelos, Directora de Marketing da Lactogal, em comunicado enviado às redacções. «O projecto materializa de forma inequívoca os valores e posicionamento da Agros, ao mesmo tempo que assume um carácter pedagógico, motivando o consumidor para uma atitude cívica empenhada na reciclagem», conclui.

Por seu turno, Vera Norte, Directora de Comunicação da Tetra Pak, citada no mesmo comunicado, refere que uma das mais valias do projecto é que «conseguimos aliar duas preocupações da máxima importância: protecção da natureza e reciclagem. Esta campanha torna-se ainda mais relevante porque é feita em parceria com o nosso cliente Lactogal e simultaneamente contribui efectivamente para a reflorestação do Parque Nacional».

O Parque Nacional da Peneda-Gerês é uma área protegida com uma extensão de cerca de 70 mil hectares e tem vindo a ser atingido por diversos incêndios. Os resultados do projecto vão reverter para a regeneração de cerca de seis hectares de terrenos baldios em Vilar da Veiga, que serão reflorestados com espécies autóctones.

«Todos os contributos para melhorar as nossas Áreas Protegidas são bem-vindos», refere Lagido Domingos, Director do Departamento de Gestão de Áreas Classificadas do Norte. «Vemos com muito agrado o envolvimento da Sociedade Civil e, nomeadamente, do sector empresarial na preservação das Áreas Protegidas».

Portal Ambiente Online, 23-11-2010

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Câmaras preparam-se para apagar a luz à noite

Autarcas do distrito de Viana do Castelo estudam suspensão da iluminação pública. Contam, com isso, poupar 70 mil euros.

Os concelhos do distrito de Viana do Castelo estão a estudar a melhor forma de compensar os previstos cortes nas transferências do Estado para as autarquias, e nas despesas correntes há um factor de poupança que já está identificado e que é rápido retorno: a iluminação pública. O corte na luz será concertado por todos os dez concelhos da Comunidade Intermunicipal do Alto-Minho (CIM), e o autarca de Melgaço, líder daquela estrutura, já fez as contas, garantindo que a medida, a entrar em vigor no orçamento para 2011, representará uma poupança anual de 70 mil euros.

Actualmente, a iluminação pública, em todo o concelho, representa uma despesa de 250 mil euros anuais, a pagar à EDP, mas a factura vai assim reduzir substancialmente. "Estamos a falar de um corte de mais de 30%, mas claro que obedecendo a algumas preocupações. Por exemplo, nos centros históricos, onde há muito comércio, não se pode cortar totalmente", explicou ao DN Rui Solheiro, presidente da autarquia.

No caso de Melgaço, a iluminação pública é ligada e desligada automaticamente, por sensores, o que nesta altura do ano acontece entre as 18.00 e as 7.00 do dia seguinte. Com a proposta que a autarquia tem em cima da mesa, prevê-se desligar um terço (uma em cada três lâmpadas) da iluminação no centro da vila. Nas freguesias, entre as 02.00 e as 05.00, o "apagão" será total.

"Representa uma forma rápida de podermos cortar nos gastos correntes e para as populações, tendo em conta as horas de que estamos a falar, não representa qualquer prejuízo", acrescentou o líder socialista de Melgaço.

Nos próximos dias deverá ser anunciada uma posição conjunta dos dez autarcas, no entanto, admitem que os cortes na iluminação obedecerão a critérios próprios, e que poderão não ser totais nas freguesias com maior movimento nocturno. "Não será nenhum apagão feito de forma cega, mas sim a pensar no equilíbrio das contas municipais e até no meio ambiente", defendeu o autarca.

Nas dez câmaras do distrito, o objectivo passa por estabelecer um "apagão" a partir de determinadas horas da madrugada, que não "causem prejuízo às populações" mas que permitam reduzir a factura da electricidade. No total, a CIM admite que a poupança poderá chegar ainda aos 50%, tendo em conta que acresce a aprovação de uma candidatura aos fundos comunitários do QREN, para a colocação de redutores de consumo de energia.


Jornalista percorreu Portugal a pé à descoberta do país profundo


Um jornalista de 48 anos termina no domingo, em Melgaço, a volta a Portugal a pé, uma aventura à descoberta do “país profundo” que começou em fevereiro de 2008, em Sagres.

A meta da odisseia do jornalista andarilho Nuno Ferreira está “instalada” na aldeia mais setentrional de Portugal, concretamente o lugar de Cevide, na freguesia de Cristoval, em Melgaço, junto ao rio Minho.

A volta a Portugal a pé deverá agora resultar num livro, onde Nuno Ferreira quer perpetuar todas as “estórias” de uma viagem “que tem muito para contar”.

O trabalho está facilitado, porque durante a viagem fui escrevendo crónicas, quer para um jornal quer para um blogue, retratando todos os momentos. Agora, é só compilar esses trabalhos”, disse, à Lusa, o jornalista.

Foi em 23 de fevereiro de 2008 que Nuno Ferreira partiu de Sagres, na ponta sul do país, à descoberta do “Portugal profundo”, em serviço para a revista Única, do jornal Expresso.

Publicava crónicas semanais nessa revista, contando todas as peripécias da viagem, relatando vivências, dando a conhecer gente que vive no anonimato, perdida no interior, mas com deliciosas estórias de vida”, referiu.

Em setembro desse mesmo ano, Nuno Ferreira ficou sem colaboração com aquele jornal mas “já estava tão imbuído naquele espírito de descoberta” que decidiu continuar a viagem, a expensas próprias.

Por “problemas vários”, a odisseia conheceu um interregno praticamente durante todo o segundo semestre de 2009, mas depois Nuno Ferreira voltou a pôr os pés a caminho, passando a deixar “gravados” todos os momentos no site Café Portugal, de Rui Dias José, jornalista da Antena 1.

Nuno Ferreira confessa ter dificuldade em destacar os momentos e os locais mais marcantes desta viagem, mas sempre vai enumerando, aleatoriamente, Taberna Museu do Zé Pata Curta, no Alentejo, o “Ti Henrique” de 80 anos no último Poço da Morte em Portugal, ou as 2500 cabras de Covas do Monte, em Arouca, “que saltam como pipocas”.

Chegas de bois e mezinhas na Feira da Malhada, em Cinfães, os contrabandistas “Ti Fernando de Casares” que passava nos carreiros de bicicleta às costas ou Bento Barroso Grilo que passava na fronteira máquinas de jogo para o Casino da Póvoa, e as vidas dos guardiões de igrejas, mosteiros e capelas são outros registos que ficaram na objetiva de Nuno Ferreira.

Passou por peregrino de Fátima, por pedinte, por traficante de droga, e até houve quem tivesse chamado a GNR por ver “tão estranha criatura” a vaguear por uma aldeia recôndita do país no Vimioso, concelho de Bragança.

Na serra do Marão, perdeu-se, chamou os bombeiros, que só o localizaram a altas horas da madrugada, e um dos soldados da paz teve mesmo de ser resgatado de helicóptero.

Como se costuma dizer, isto dava um livro. E vai mesmo dar”, rematou Nuno Ferreira.

Correio do Minho, 21-11-2010

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

NATO deixa "puente cerrada" até sábado


NATO deixa "puente cerrada" até sábado

"Posso passar?". "Não, minha senhora. Tem de ir aqui à frente e virar à esquerda, para apanhar a ponte nova". O diálogo entre uma automobilista e um agente da GNR repetia-se exaustivamente ontem, terça-feira, por estas palavras ou por outras mais ou menos parecidas, junto à velha ponte Eiffel, que liga Valença a Tui, que até sábado permanecerá encerrada por causa da Cimeira da NATO.

Do lado espanhol, a travessia encontra-se interdita ao trânsito e quem quer passar para Portugal tem de efectuar um desvio para o IP1 e fazê-lo pela outra ponte, que liga a cidade à Galiza, a chamada "ponte nova". Ali, na fronteira mais movimentada do país, de acordo com o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, registam-se em média cerca de 18 mil entradas por dia. Números do último relatório sobre mobilidade, efectuado em Espanha.

A cada dez, quinze, vinte segundos, ou pouco mais, um carro esbarrava ontem com um aviso no gradeamento, que vedava o acesso a território português pela travessia antiga em Tui. "Puente cerrada. Desvio para Portugal por la autovia A-55", lia-se.

A escassos metros, o agente destacado para informar os inúmeros automobilistas surpreendidos pela fiscalização da fronteira, não pára: "Tem de ir por ali pelo Haley [supermercado espanhol da zona comercial de Tui, situada junto à saída para a autoestrada] e já passa, mas tem de ter bilhete de identidade, senão não passa".

Encerrados e vigiados como a ponte Eiffel de Valença, no distrito de Viana do Castelo, estão mais seis pontos de passagem da Galiza para Portugal. Três em Melgaço (Castro Laboreiro, S. Gregório e a ponte Peso-Arbo), em Monção a ponte que liga a vila a Salvaterra do Miño e em Vila Nova a travessia internacional com ligação a Tomiño.

Em Caminha, o ferry-boat "Santa Rita de Cássia", que faz o atravessamento do rio Minho para A Guarda, está a ser controlado pela Polícia Marítima. Nos restantes locais PPNA (pontos de passagem não autorizada, conforme a designação oficial) há agentes da GNR a desviar os automobilistas para o Posto de Passagem Autorizada (PPA) de Valença.

Segundo fonte oficial, contactada pelo JN no terreno, o controlo nas zonas fechadas ao acesso a partir de Espanha está a ser efectuado a tempo inteiro, apenas deixando passar o trânsito local. "Um residente de Salvaterra que queira passar para Monção pode fazê-lo, mas se for alguém de Madrid é desviado para o PPA de Valença", de acordo com a explicação prestada ao JN.


Ana Peixoto Fernandes, Jornal de Notícias, 17-11-2010

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Quatro entidades comprometem-se com turismo no Parque Nacional da Peneda-Gerês


A dinamização turística de toda a área da Porta do Lindoso, uma das cinco em funcionamento no Parque Nacional da Peneda-Gerês, reuniu ontem ICNB, Adere-PG, EDP e Câmara de Ponte da Barca num protocolo de colaboração.

Sónia Almeida, directora da associação de desenvolvimento regional Adere-Peneda-Gerês, explicou hoje ao PÚBLICO que o principal objectivo é “integrar as actividades que já são realizadas na área do parque mas em separado”. Nomeadamente as visitas guiadas à barragem do Alto Lindoso, os percursos pedestres, de BTT ou equestres.

Tentamos articular as actividades para que as coisas funcionem melhor junto de quem nos visita”, acrescentou.

O presidente da Câmara de Ponte da Barca, Vassalo Abreu, disse ontem, citado pela agência Lusa, que “o facto de 52 por cento do nosso território ser Reserva da Biosfera, tem que ser aproveitado turisticamente”. O autarca classificou esta parceria como “um investimento na valorização, preservação e divulgação” do património natural, cultural e paisagístico do concelho.

O Parque Nacional da Peneda-Gerês tem cinco portas em funcionamento para receber os visitantes: Lindoso (Ponte da Barca), Lamas de Mouro (Melgaço), Mezio (Arcos de Valdevez), Campo do Gerês (Terras de Bouro) e Montalegre.

Segundo Sónia Almeida, as mais visitadas são as portas do Lindoso e de Lamas de Mouro. “Mas à medida que as pessoas vão tomando conhecimento de que existem cinco portas no parque, todas estão a registar uma maior afluência”. A responsável disse também que quem mais visita as portas são cidadãos portugueses de fora da região – principalmente do Porto, Lisboa, Braga e Guimarães – e espanhóis. “No Verão são mais as famílias que nos visitam, no Outono e Inverno começam já a chegar pequenos grupos de pessoas que gostam muito de andar a pé”, explicou.

Estas estruturas, que não fecham aos fins-de-semana, prestam informações aos visitantes sobre o que podem ver e fazer na área protegida, nomeadamente percursos, os melhores itinerários de carro, restaurantes e alojamento disponíveis.

A Adere-Peneda-Gerês está a desenvolver um estudo sobre a forma de gestão conjunta das cinco portas que deverá ser divulgado no final de Dezembro.


Helena Geraldes, Público, 09-11-2010

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

"O Meu Mundo"




A exposição de pintura "O Meu Mundo", de Ricardina Silva, está patente na galeria Casa da Cultura de Melgaço até ao dia 30 de Novembro.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Ursos disputados por parques nacionais

Os três ursos-pardos que pertenciam a um circo e estiveram cinco anos numa jaula e a ser alimentados por caridade da população de Vila Boa do Bispo, em Marco de Canaveses, foram disputados por parques nacionais. O Parque Nacional da Peneda-Gerês e o Parque Biológico da Lousã foram alguns dos espaços que mostraram interesse em acolher os animais. Para já, os ursos vão ficar ao cuidado do Jardim Zoológico de Lisboa.

O interesse surgiu depois de o caso ter sido divulgado na Comunicação Social. A situação em que viviam os animais do Mágico Circus levou a que surgissem interessados em cuidar daqueles. "Vieram do Parque do Gerês oferecer ajuda", exemplificou Adélio Silva, funcionário do circo.

Os animais, entre os 17 e os 18 anos, comem apenas pão e fruta e vivem no atrelado do camião do circo desde 2005 por o dono não ter a documentação que lhe permitia levá-los em viagens.


A.S.C., Correio da Manhã, 30-10-2010

Cães de Gado


Autores: Paulo Caetano, Joaquim Pedro Ferreira e Sílvia Ribeiro

Editora: Bizâncio

PVP: € 27,25




Do lobo ao cão. E do cão ao cão de gado. Foi longa e tortuosa a evolução. Difícil. Mas as características que, actualmente, estão fixadas nas raças nacionais de cães de gado constituem um património genético invejável. Que não se pode perder. Contribuir para a preservação dos cães de gado e para divulgar a exigente tarefa que constitui o árduo quotidiano destes cães é o desafio deste livro. Esta obra vive da imagem e dos testemunhos de pastores e investigadores – plena de cor, acção e dramatismo. Para o leitor constituirá o regresso a um universo que julga perdido: o mundo rural, com os cães em acção guardando rebanhos e manadas, defendendo-os dos lobos e realizando combates de vida ou morte. Os cenários são naturais: as grandes serranias a norte do Douro, os cumes de Castro Laboreiro, os alcantis da Peneda, as encostas do Alvão. Aí, nesses ambientes selvagens, veremos como se entrecruzam destinos: ovelhas e vacas das ameaçadas raças autóctones, velhos pastores armados com cães e cajados. E como sobrevivem os velhos costumes e saberes – ante o desaparecimento de tradições como a transumância.


Entrevista a Paulo Caetano:

O que são cães de gado e desde quando existem?

Cães de gado são cães que têm como função defender o gado, quer se trate de rebalhos de ovelhas e cabras - que é o caso mais comum -, quer sejam manadas de vacas e cavalos ou mesmo varas de porcos. É dificil saber desde quando os cães desempenham esta função, mas podemos afirmar com alguma segurança quecães existem deste que o Homem domesticou o gado e que, para o manter alimentado, precisava de o acompanhar em busca de pastagens frescas. Como esses rebanhos, durante as suas deslocações, eram particularmente vulneráveis aos predadores - como os lobos, linces, ursos ou outros homens - começaram-se a utilizar cães de grande porte na sua protecção. Diria que os cães de gado, que mais tarde darão origem às raças actuais, têm alguns milhares de anos.


Num mesmo rebanho, podem coexistir cães que conduzem o gado e cães que o protege do ataque dos predadores. Qual a função específica de cada um?

A própria designação ajuda a perceber a função. O cão de gado é o que protege, o cão pastor ou cão de condução é o que conduz o rebanho ou a manada, seguindo as indicações do dono. E claro que podem e devem coexistir num mesmo rebanho, convivendo pacificamente uns com os outros, quando bem socializados.


Em Portugal, quais são as raças de cão que melhor se adaptam a este trabalho?

As raças portuguesas de cães de gado são o Cão de Castro Laboreiro, o Cão da Serra da Estrela, o Cão Rafeiro do Alentejo e o Cão de gado Transmontano - a raça mais recente em termos oficiais.


São raças geneticamente próximas?

Sim, muito próximas! Umas mais do que outras, porque várias raças estavam confinadas ao seu solar de origem e os gados da região apenas faziam pequenas deslocações e os acessos montanhosos impunham um grande isolamento. É o caso do Castro Laboreiro ou do Cão de Gado Transmontano. Já entre o Rafeiro do Alentejo e o Serra da Estrela existe grande proximidade porque, tradicionalmente, os rebanhos transumantes da Estrela passavam os meses do Outono e do Inverno nos campos do Alentejo ou da Idanha, e os cães acompanhavam essas deslocações, cobrindo fêmeas ou parindo fora do seu solar...


Como se treina um cão de gado?

Não se treina. O cão deve nascer numa corte do gado - ou ser lá colocado mal é desmamado - e deve socializar com os membros do rebanho que vai defender. Para ele, o gado passa a ser a sua família, que defenderá mesmo que tenha de arriscar a sua vida a lutar com um predador.


Como é que o cão e o gado interagem?

O cão integra-se no rebanho, acompanha-o para onde quer que vá. Descansando quando o rebanho pasta, movendo-se à sua frente ou no meio dos outros animais durante as caminhadas. Com frequência, o cão lambe os recém-nascidos do rebanho num gesto de aceitação na família e de reconhecimento. Quando é juvenil, brinca com as cabras ou as ovelhas, como faria com outro cão ou com um humano.


Há algum tipo de apoio, em Portugal, a quem crie, treine e trabalhe com estes cães?

O Grupo Lobo e o Parque Natural de Montesinho têm em terreno vários projectos que pretendem promover estas raças de cães, fomentar a sua criação e o seu uso na pastorícia. Compram cães, oferecem-nos a pastores, garantem parte da sua alimentação e cuidados veterinários, acompanham a sua integração nos rebanhos de risco, aqueles que, com frequência, sofrem prejuízos causados pelos lobos.


Assim como a transumância desapareceu no nosso país, a pastorícia é também uma prática cada vez menos utilizada. De que forma este abandono da pastorícia tem afectado a sobrevivência dos cães de gado portugueses?

O confinamento do gado a estábulos ou cercados, a perda dos saberes tradicioinais e das artes antigas, a desvalorização do mundo rural e dos seus produtos está, de facto, a matar a pastorícia de percurso e, com ela, os cães de gado. Estas raças estão muito ameaçadas e os exemplares vão deixando de ser usados em trabalho, ficando como cães de companhia ou como guardas de propriedades. Se quisermos defender e fomentar estas raças, temos também de valorizar as raças autóctones de gado, vocacionadas para os nossos espaços geográficos, e os produtos que eles produzem. Se o fizemos, estamos a defender um vasto e antigo património biológioc e cultural que nos identifica e distingue enquanto povo.


Os Bichos, 29-10-2010

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Exposição de pintura em Melgaço


A Galeria da Casa da Cultura de Melgaço, na Avenida Salgueiro Maia, tem patente ao público uma mostra de pintura intitulada “O Meu Mundo”, da autoria de Ricardina Silva.

A exposição decorre entre os dias 2 e 30 de Novembro e estará aberta ao público de segunda a sexta-feira das 9H30 às 12H30 e das 14H00 às 18H00, ao sábado das 9H30 às 12h30, das 14H00 às 18H00 e das 21H00 às 0H30. A entrada é livre.

Jornal Reconquista, 28-10-2010

Museu da lanterna mágica em Melgaço

A caixa óptica que marcou toda a era do Cinema, a lanterna mágica, é a protagonista principal do "Museu de Cinema de Melgaço Jean Loup Passek". Com o nome do coleccionador francês que doou todo o seu espólio cinematográfico a uma terra do interior do Alto Minho, pela qual se encantou, o espaço museológico integra diversas lanternas mágicas de diferentes épocas.

Conta-se através destes aparelhos e muitos outros de nomes, por vezes, complicados de pronunciar, o desenrolar da história da Sétima Arte. Vale a pena visitar a colecção de Passek num antigo posto de Guarda Fiscal adaptado a museu.

No espaço inaugurado a dias da entrada do Verão de 2005, a colecção do cinéfilo francês é exibida numa exposição permanente que se distribui por várias salas do rés-do-chão. No primeiro andar, pode ser visitada uma exposição temporária sobre «O auge do Cinema Japonês de 1940 a 1990», que reúne fotografias e cartazes dos filmes japoneses mais emblemáticos. Cada fotografia tem identificados o título do filme e o ano da respectiva estreia.

Mas vamos aos aparelhos da época que antecedeu o cinematógrafo dos Irmãos Lumiére. No espaço principal dedicado ao "pré-cinema", há lanternas mágicas com as respectivas caixas e placas de vidro pintadas à mão e dispositivos com o nome de fenaquistiscópios (com os respectivos discos), zootropos e praxinoscópios. Tudo aparelhos muito populares junto do público no século XIX.

Ainda na mesma sala estão expostos cartazes que ilustram a evolução do cinema desde as suas origens até ao cinematógrafo, entre eles um dos primeiros que anunciavam cinema em sala. Já na recepção do museu, podem observar-se mais lanternas mágicas, desta vez do tipo americanas electrificadas.

Há ainda uma outra sala, a do "Mundo Novo", onde novamente se encontram aparelhos que marcaram a história do cinema, só que aqui em vez de originais há "uma reprodução de uma reprodução" de uma caixa óptica para diorama teatral. Trata-se da combinação de uma lente frontal e de um espelho situado a 45º graus que permite a sucessão de imagens contendo cada uma um detalhe suplementar em relação à precedente, criando a ilusão de perspectiva e de profundidade do campo.

Existe, também, uma reprodução de um «peep - show». Caixa óptica com um ou mais óculos que permite visualizar imagens por reflexo (efeito dia) ou transparência (efeito noite). O museu de Melgaço dispõe, finalmente, de um pequeno auditório, onde se podem observar, para além de algumas fotografias e dedicatórias sobre o cinema português, filmes sobre a exposição temporária presente no museu.


Ana Peixoto Fernandes, Jornal de Notícias, 28-10-2010

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

"Parto" de António Borges Correia


Vi e recomendo:




"Parto", de António Borges Correia (Portugal, 2010, 82')



"Num vale remoto da serra da Peneda há um homem que morreu. Partiu. É preciso ir buscá-lo para lhe dar o funeral. O agente funerário Olegário, acompanhado por Raul e Carlos, montam a urna numa pick-up e seguem serra acima. Vai ser um serviço para uma longa jornada".


Melgaço: 3,75 M€ para requalificar termas do Peso


A Câmara de Melgaço aprovou a constituição de uma parceria público privada para a requalificação integral do Parque Termal do Peso, um investimento de 3,75 milhões de euros para concretizar até Janeiro de 2013.

O presidente da Câmara de Melgaço, Rui Solheiro, disse hoje à agência Lusa que a principal aposta será na área da terapia, especialmente no tratamento da diabetes, uma vez que as águas termais do concelho são «recomendadas» para o combate a essa patologia.

«Mas a vertente do lazer também não será, de todo, descurada», acrescentou o autarca socialista.


Diário Digital, 20-10-2010

Eólicas excluídas do Parque Nacional do Gerês

Autarcas queixam-se de que Governo continua sem autorizar a instalação na região de aerogeradores para produção de energia.


Apesar da insistência das populações, o Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda Gerês (PNPG), a publicar até ao final do ano, vai continuar a excluir a possibilidade de instalação de aproveitamentos eléctricos como aerogeradores ou mini-hídricas, apurou o DN. Isto apesar de haver algumas cedências noutros pontos do documento inicial após a sua consulta pública. Aerogeradores no parque é que está fora de questão.

"Vamos fazer barulho para que seja possível ou então que nos compensem de alguma forma. Mas em Lisboa o que se quer é um parque sem pessoas, só com animais. Neste momento, os animais menos protegidos somos nós, as pessoas", insurgiu-se ao DN o presidente da Junta do Soajo. Manuel Costa é um dos principais rostos da contestação às imposições colocadas a qualquer actividade no PNPG. O que só serve para "levar os novos para longe", acusa. "É uma terra que agora, chega o Inverno, e a partir das 18.00, não se vê ninguém. É a desertificação total. Ficam só os animais", acrescenta.

A ministra do Ambiente, Dulce Pássaro, garantiu esta semana que o plano de ordenamento, alvo de muitas críticas pelas populações dos cinco concelhos que integram estará publicado até final do ano. "O período de consulta pública terminou. Houve muitas sugestões, críticas, negativas e positivas, e, agora, analisados esses contributos e a sua compatibilidade com a legislação comunitária, que é preciso respeitar, está-se a ultimar o documento", afirmou.

"A senhora ministra vai ter de ceder em alguma coisa. Porque o PNPG não tem gente nem tem dinheiro", diz Manuel Costa. Uma das medidas mais contestadas, e simples, do Plano - a necessidade de que qualquer intervenção tivesse o aval técnico de um dos arquitectos - já terá sido abolida. Assim como a garantia de apoio, como reclamavam os autarcas locais, à recuperação de antigas casas de florestais, pontões e outros estradões do parque.

De fora está a possibilidade de a serra, apesar dos promotores interessados, vir a receber as torres eólicas, um garante de investimento e lucros para as localidades.


Paulo Julião, Diário de Notícias, 20-10-2010

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Pescadores do rio Minho admitem cessar actividade

A portaria nº 247/2010 “penaliza gravemente” a pesca sazonal e tradicional no rio Minho, no concelho e a montante. Pode estar em causa o abandono da actividade, dizem os pescadores.

A Assembleia Municipal de Vila Nova de Cerveira aprovou uma moção a contestar aquele diploma, publicado a 3 de Maio, argumentando que a sua aplicabilidade “irá originar o abandono da pesca sazonal e tradicional pela quase totalidade dos pescadores do rio Minho” acarretando “prejuízos económicos e crispações sociais junto das comunidades piscatórias”.

Actividade complementar com usos e costumes ancestrais

A moção proposta pelos deputados municipais do PS, que foi aprovada por unanimidade, defende que, enquanto a actual lei e respectivos regulamentos não forem discutidos com os pescadores sazonais, a presente época de faina piscatória no rio Minho deve iniciar-se nos mesmos moldes dos anos anteriores.

O documento argumenta que os novos regulamentos não fazem distinção entre pescadores profissionais e sazonais nem consideram as especificidades próprias de cada zona de pesca no troço do rio Minho, muito diferentes entre o estuário e o percurso a montante — Vila Nova de Cerveira, Valença, Monção e Melgaço.

Moção enviada ao ministro sustentada em abaixo-assinado

Remetida ao ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das e Pescas, ao secretário de Estado da Agricultura e Pescas, ao director-geral das Pescas e Aquicultura e ao comandante da Capitania do Porto de Caminha, aquela moção de apoio reafirma o propósito defendido por gerações de “homens do rio” de respeitar os usos e costumes ancestrais desta actividade complementar importante para o sustento de várias famílias.

A decisão fundamentou-se num abaixo-assinado com 146 assinaturas promovido pelos pescadores de Vila Nova de Cerveira, onde é referido que a nova portaria defende os pescadores que fainam no concelho de Caminha e esquece as comunidades piscatórias de Vila Nova de Cerveira, Valença, Monção e Melgaço.

Pescadores lembram anos 60

Os pescadores sustentam que no concelho de Caminha se pescam durante todo o ano diferentes espécies — lampreia, sável, meixão, solha e peixe branco — enquanto nos concelhos a montante a pesca resume-se a cinco meses e a duas espécies: lampreia e sável.
Acrescentam que, no final de uma época de pesca, a captura em Caminha é substancialmente maior do que nos restantes concelhos do rio Minho.

Por isso, entendem que deve ter-se em consideração o que acontecia na década de 60 do século passado, onde o imposto a aplicar diferenciava os pescadores em função do local onde exerciam a sua actividade: os pescadores de Caminha pagavam 15% sobre o peixe capturado ao passo que em Vila Nova de Cerveira pagava-se 7%.

Com as novas regras, adianta ainda o abaixo-assinado, os pescadores de Caminha não terão dificuldade em cumprir o estipulado na Portaria n.º 247/2010 enquanto os pescadores de Vila Nova de Cerveira, Valença, Monção e Melgaço não conseguirão atingir os valores necessários para renovar as suas licenças, obrigando ao abandono da pesca nestes concelhos.

Rui Serapicos, Correio do Minho, 18-10-2010

3ª Exposição Canina Nacional é em Arcos de Valdevez


No próximo fim-de-semana, realiza-se em Arcos de Valdevez a terceira Exposição Canina Nacional. O evento terá lugar no Centro de Formação e Exposições e é organizado pela Câmara Municipal e pela ARDAL (Associação Regional de Desenvolvimento do Alto Lima).

Integrado neste evento estará a 1ª Exposição Canina Especializada de Raça Portuguesa de Arcos de Valdevez e a XXI Exposição Monográfica do Cão de Castro Laboreiro.

Fonte: Fátima Mariano, Os Bichos, 18-10-2010

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Estratégia autárquica combate o desemprego


Câmara de Melgaço substitui-se às empresas e aposta em estruturas de turismo e lazer


Como se explica que Melgaço, um pequeno município do Alto Minho, apresente quase pleno emprego? Um tecido económico vocacionado para o turismo, mas dependente de uma Câmara que emprega mais de 300 pessoas e gasta quase 4 milhões de euros com pessoal.

Segundo os dados compilados no relatório Norte Conjuntura, elaborado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte (CCDR-N), o concelho de Melgaço está entre os que, no final do primeiro semestre deste ano, revelavam um comportamento positivo em termo de abatimento da taxa de desemprego, que aliás, nunca foi muito expressiva.

O autarca Rui Solheiro (PS) explica o fenómeno com a aposta, feita pela Câmara de Melgaço, no Turismo, Cultura, Desporto e Lazer, e que alavancou a economia local, através do surgimento de pequenas empresas satélite em torno desses sectores. A grande indústria simplesmente passa ao lado desta localidade, em que grande parte das freguesias são serranas.

"Aqui não temos disso. Há empregos espalhados um pouco por todo o concelho", afirma Solheiro, admitindo que a orquestrar toda a actividade económica existente estará a autarquia.

Solheiro dá nota de um conjunto de equipamentos, como cinco museus, o Complexo Desportivo/Centro de Estágios, o Solar do Alvarinho e a Porta do Parque Nacional da Peneda Gerês em Lamas de Mouro, que foram sendo criados ao longo dos anos e que funcionando como braços de uma mesma estrutura, têm atraído para o concelho pequenos investidores em áreas como o alojamento e restauração, comércio, artesanato e animação, desporto e lazer.

No prazo de dois anos, a autarquia espera, ainda, com a recuperação do Complexo Termal de Peso, que recentemente lhe foi cedido pela Unicer, criar outro pólo de atracção de investimento privado e de criação de emprego próprio. Estima-se que a autarquia venha a contratar um total de 50 pessoas. "Julgo que este tem sido o segredo, porque vamos criando emprego local, sólido e não estamos sujeitos a que um qualquer sector da economia esteja em crise e fechem duas ou três empresas e se crie um problema social com o desemprego. Temos muito emprego em pequenas empresas e que é sólido porque está agarrado às nossas coisas", explicou.

Em resultado dessa estratégia a Câmara de Melgaço tinha ao seu serviço, segundo os dados do balanço social do concelho em 2009 a que o JN teve acesso, um total de 309 trabalhadores e um encargo financeiro com pessoal de 3. 702. 202, 18 euros.

"A câmara é indiscutivelmente a maior empregadora do concelho", reconhece Solheiro.


Ana Peixoto Fernandes, Jornal de Notícias, 10-10-2010

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Melgaço: Itinerários para belas fotos



Se ainda não tem planos para o fim-de-semana Melgaço sugere uma escapadinha para participar num conjunto de actividades biodiversificadas, comemorativas do Dia Mundial do Turismo.

Assim, e entre os dias 24 e 27 de Setembro, o Município de Melgaço, o Turismo Porto e Norte de Portugal e a Adere Peneda-Gerês propõem que vá conhecer o Parque Nacional da Peneda-Gerês, através de uma viagem ao Megalítico de Castro Laboreiro, a realização de percursos pedestres por Castro Laboreiro e Lamas de Mouro, visitas guiadas aos espaços da rede Melgaço Museus - Museu de Cinema de Melgaço/Jean Loup Passek, Núcleo Museológico de Castro Laboreiro e Porta de Lamas de Mouro - visitas e provas nas adegas aderentes à Rota do Vinho Alvarinho, actividades radicais e passeios a cavalo pelo território do Lobo Ibérico, entre outros.

Durante este fim-de-semana decorre ainda, entre os dias 24 e 26, a Maratona/Concurso de Fotografia, inserida nas Jornadas Europeias do Património e alusiva ao tema “O património cultural das regiões do Parque Nacional da Peneda-Gerês - um mapa para a história do território”.

É um contributo para a valorização do Parque Nacional da Peneda-Gerês, poder participar, presencialmente e usufruir dos valores culturais e territoriais deste espaço natural, único Parque Nacional do país. Em Melgaço, os objectos patrimoniais seleccionados para este concurso são os castelos, de Melgaço e de Castro Laboreiro — conclui o comunicado.

in Correio do Minho, 22-09-2010

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Área ardida nas zonas protegidas subiu 60 por cento face à média registada em Portugal nos últimos cinco anos


O ano ainda não terminou, mas já há um dado seguro a nível do balanço dos incêndios florestais: os fogos de 2010 foram particularmente penosos para as áreas protegidas.

Os últimos dados do Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB) mostram que até meados de Setembro arderam perto de 16 mil hectares nestas zonas classificadas. O valor significa um aumento de 60 por cento face à média dos últimos cinco anos, que incluiu a área ardida no total dos 12 meses. No único parque nacional do país, o da Peneda-Gerês, ardeu mais de 13 por cento da sua área total, incluindo um quarto da zona de protecção total, a área de maiores valores naturais.

O Parque Natural da Serra da Estrela também foi particularmente afectado, tendo este ano ardido 5,6 por cento da sua área, o que corresponde a 5.021 hectares (ha). Também aqui o fogo destruiu uma das áreas mais importantes do parque, a Reserva Biogenética, onde foram afectados 720 ha. O ICNB destaca a destruição de um ninho de falcão-peregrino, entre diversos habitats e espécies. Um núcleo de teixos, uma árvore resinosa que tem vindo a desaparecer, também foi consumido pelo fogo, que afectou igualmente a vegetação junto a diversas linhas de água.

Mesmo assim, o Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) regista a maior área ardida dento das zonas protegidas: 9.193 hectares, que correspondem a 13,2 por cento da sua área total. O fogo que atingiu a Mata do Cabril, uma das três zonas de protecção total do parque, prolongou-se por 15 dias, tendo consumido 3.529 hectares. Mais de 270 hectares eram de carvalhal. "A área de maiores valores naturais (a zona de protecção total que é de 2797 hectares em todo o parque) teve um impacto de 26 por cento, correspondente, grosso modo, à área ardida na Mata do Cabril", nota o ICNB, numa avaliação dos fogos no PNPG.

"Divorciados" da população

Das restantes áreas protegidas, destaca-se o Parque Natural do Alvão, onde arderam 791 hectares, ou seja, 11 por cento do parque. Também o Douro Internacional e Montesinho foram afectados, ainda que de forma menos significativa.

Para Joaquim Sande Silva, da Liga para a Protecção da Natureza, os fogos nas área ardidas "são o resultado de um divórcio entre o ICNB e a população que reside nessas zonas". Sande Silva realça a falta de diálogo do instituto e aponta a falta de meios humanos no terreno como um problema. "No ICNB, há mais de 200 quadros superiores e pouco mais de cem vigilantes da natureza. Não faz sentido. É uma pirâmide virada ao contrário", sublinha o investigador. Por isso, nota, "há muito gente para planear e estudar e pouca no terreno, onde é possível mudar as coisas".

Sande Silva não se tente habilitado para avaliar se a alteração introduzida em 2007 na orgânica do ICNB, que determinou uma gestão regional das áreas protegidas (foram criados cinco departamentos encarregues, respectivamente, do Norte, das Zonas Húmidas, do Centro e Alto Alentejo, Litoral de Lisboa e Oeste e Sul) está a ter resultados negativos. Mas insiste que é preciso apostar numa política de proximidade, para que este modelo não contribui.

Falta de meios no terreno

Rita Calvário, deputada do Bloco de Esquerda e engenheira agrónoma, não tem dúvidas de que a mudança foi prejudicial. "O pretexto de uma maior eficiência de gestão apenas serviu para reduzir custos à conta de maiores debilidades de intervenção no terreno e contacto com as populações das áreas protegidas", sublinha num artigo de opinião publicado em www.esquerda.net. A engenheira realça ainda os problemas orçamentais do ICNB. "Com cortes de investimento superiores a 50 por cento nas áreas protegidas e uma redução de quase 20 por cento para o ICNB em 2007, desde então nunca se recuperaram os valores anteriores, já de si baixos. Ainda em 2010, o ICNB assistiu a um corte de mais 4 por cento em relação ao orçamentado no ano anterior", precisa a deputada do Bloco.

O resultado, diz, é a falta de meios no terreno. "Veja-se a situação do Parque Natural do Douro Internacional (85 mil ha) sem um único vigilante da natureza, do Tejo Internacional (26 mil ha) com apenas um vigilante, do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (75 mil ha) com dois, da Arrábida (11 mil ha) com quatro. Mas mesmo na Peneda-Gerês (70 mil ha), onde existem 23 vigilantes, a falta de verbas ditou que estes estivessem, até recentemente, sem viaturas para trabalhar durante mais de um ano", descreve.


Mariana Oliveira, Público, 20.09.2010

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O país das sete maravilhas ameaçadas

As sete Maravilhas de Portugal estão escolhidas. E a escolha dos portugueses não deixa de ser curiosa. Recaiu em alguns dos locais mais importantes do ponto de vista dos valores naturais, mas também mais ameaçados.

Como exemplo, apenas dois casos: o Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), no Norte, e a ria Formosa, no extremo sul do país. Ambos ostentam o estatuto de protecção, ambos correm sérios riscos.

O PNPG , o único parque nacional português, o que só por si atesta o seu valor, acaba de cumprir a sina de todos os anos: por acidente, por crime, ou apenas por incúria (o que não deixa de ser crime) ardeu. Não foi um azar. Um azar acontece uma vez. No Gerês acontece todos os anos, com maior ou menor dimensão. E todos os anos um pouco do parque nacional desaparece para sempre.

A sul, a ria Formosa é também a partir de agora uma das sete maravilhas naturais de Portugal. Também ela não está imune aos riscos, desde logo pela pressão turística que a rodeia. E não só. Ainda ontem foi divulgada a morte de centenas de patos, contaminados com uma bactéria que se encontra nas águas da laguna. Ora a ria sem pássaros não é a ria Formosa que os portugueses escolheram e que a torna única.

Esta distinção só faz sentido se o seu alcance ultrapassar a mera promoção turística, se der o contributo para a preservação, para que os locais escolhidos pelo voto dos portugueses continuem a merecer a classificação de maravilha natural de Portugal.

O PNPG, a ria Formosa, mas de igual modo o Portinho da Arrábida,no Parque Natural da Arrábida , as grutas de Mira d'Aire, no Parque Natural da Serra d'Aire e Candeeiros, a lagoa das Sete Cidades e a paisagem vulcânica do Pico, no arquipélago dos Açores, e a Floresta Laurissilva, na Madeira, também devastada pelas chamas este Verão.

O recado foi dado pelos milhares de cidadãos que fizeram a escolha. Resta agora que as entidades com capacidade e responsabilidade na preservação destes espaços percebam a mensagem e ajam em conformidade.


Paula Ferreira, Jornal de Notícias, 15-09-2010