quarta-feira, 27 de julho de 2011

Aldeias de Portugal tem novo site

As Aldeias de Portugal, “um conceito novo” de alojamento em Portugal que "leva à descoberta das origens do mundo rural", tem um novo site na internet onde apresenta as sete aldeias que compõem a oferta da rede.

Branda da Aveleira, Castro Laboreiro, Cabração, Lindoso, Germil, Soajo e Sistelo são as aldeias que compõem a rede, às quais se juntam 38 casas recuperadas, o que totaliza mais de 70 unidades de Turismo em Espaço Rural (TER).

As aldeias de Portugal “pretendem proporcionar a quem as visita a descoberta de uma forma de Turismo diferente – o Turismo no espaço rural, convidando-o para uma estadia de total independência, numa casa rural, em plena natureza”, informa o site da rede.

Além das aldeias, a sua localização e oferta, o site permite também pedir reservas e apresenta informação sobre a Associação de Turismo de Aldeia.

Presstur, 26-07-2011

terça-feira, 26 de julho de 2011

Cães de raça Castro Laboreiro encontraram-se na Expolima






Cerca de dezena e meia de cães da raça Castro Laboreiro, vindos de vários pontos do Norte do país, participaram ontem em Ponte de Lima numa exposição canina monográfica. Sempre seguros de perto por trelas curtas pelos donos, os cães eram motivo de visível atracção para os visitantes que passavam na Expolima. Eram frequentes as famílias que perguntavam se as crianças podiam fazer carícias aos animais. Machos e fêmeas, mais ou menos corpulentos, deixavam-se acariciar, dóceis.

Quando morde não rasga

É uma raça portuguesa, um cão seguro. Dentro da propriedade morde quem entrar sem autorização mas mesmo quando morde não rasga: morde só para segurar”, justifica Eva Silva, uma criadora do Porto, proprietária de oito animais. “Não quero outra raça”, acrescenta.

Outro criador, José Matos, vindo de Vila Real, é dono de um macho com vinte e seis meses e uma fêmea com vinte e três. Lembra ter comprado um em Valença que teve de mandar para abate porque tinha partido sem cura uma pata. Desde então, só quer cães da raça Castro Laboreiro.

São muito dóceis e amigos dos donos”, adianta, avisando no entanto que o macho “não suporta” quando vê um cão aproximar-se da fêmea. De alimentação, é só ração e duas vezes por ano um osso da perna de vitela “para lavar os dentes”.

O certame, organizado pela Associação de Criadores de Castro Laboreiro, decorreu no âmbito da Feira de Caça, Pesca e Lazer de Ponte de Lima, na Expolima, que incluiu ainda o 1.º Concurso Canino de Beleza, organizado pelo Comissário do Clube Português de Canicultura.

Durante os certames dirigidos a caninos, a Expolima manteve animações para crianças e actividades como baptismo de mergulho num aquário móvel com peixes. Anda ontem em Ponte de Lima teve lugar uma apresentação, na Avenida dos Plátanos de socos limianos.

Rui Serapicos, Correio do Minho, 25-07-2011

sábado, 28 de maio de 2011

Gerês: 40 anos do único Parque Nacional em fotos


Gêres: 40 anos do único Parque Nacional em fotos

Parque Nacional da Peneda-Gerês - 40 anos” é o nome do livro que regista em centenas de imagens os 40 anos do único Parque Nacional existente em Portugal, com fotografias de António Barros.

As imagens permitem viajar pela evolução das últimas décadas do parque e os dois textos do livro contam a história das suas gentes e ofícios, de locais milenares e das suas espécies animais, algumas únicas no país.

Com esta obra pretende-se associar à memória o respeito pelos usos históricos do território e uma visão sobre a sustentabilidade atual e futura", afirmou à agência Lusa o director do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), Lagido Domingos.

Segundo o diretor, “não foram feitas fotografias para agora”, sendo este um “trabalho de recolha de várias décadas”.

Estamos a falar de um acervo de milhares largos de fotografias, das quais seleccionamos algumas centenas para integrar este livro e mostrar a evolução”, acrescentou.

O planalto de Castro Laboreiro, a Peneda, o vale do Lima e serra Amarela ou o Gerês e o planalto do Barroso são algumas das áreas do parque em destaque nesta publicação.

Constituído a 8 de Maio de 1971, o PNPG abrange cinco concelhos de três distritos diferentes – Viana do Castelo, Braga e Vila Real-, em mais de 70 mil hectares de área protegida onde habitam apenas entre “oito a nove mil pessoas”.

Da área total, apenas cinco mil hectares pertencem ao Estado, enquanto o «grosso» dos terrenos são baldios, o que obriga a um processo de articulação entre comissões locais e a direcção do parque.

Atualmente, o PNPG tem cerca de 240 espécies de fauna vertebrada identificadas no território e 1.100 de flora, além de 500 sítios de interesse histórico e arqueológico.


quinta-feira, 28 de abril de 2011



A XVII edição da Festa do Alvarinho e do Fumeiro de Melgaço arranca amanhã e decorre até domingo, prometendo três dias dedicados às diversas formas de prova e degustação dos produtos locais, complementados com diversas iniciativas e muita animação.

A abertura oficial da Feira, a decorrer pelas 11 horas, será presidida pelo secretário de Estado da Administração Local, José Junqueiro, seguida de uma visita aos 57 expositores de vinho Alvarinho, de fumeiro, de broa, doçaria, artesanato e institucionais, presentes no recinto.

A Festa do Alvarinho e do Fumeiro de Melgaço é um evento declarado de interesse para o turismo, que acolhe anualmente milhares de visitantes, oriundos de diversos pontos do país e da vizinha Galiza, e através da qual o Município pretende dar a conhecer não só os produtos locais como todas as potencialidades turísticas do concelho.



Certificação em marcha

A Festa do Alvarinho e do Fumeiro inclui um programa de animação musical todas as noites, desportos radicais, passeios pedestres e de kart, muita música popular com ranchos folclóricos, grupos de dança e concertinas. A edição deste ano, pela primeira vez, e uma década após o início do processo, os visitantes podem provar ou adquirir fumeiro com IG - Indicação Geográfica, certificação que comprova o reconhecimento, pelas instâncias nacionais, das características únicas do presunto, do salpicão, e das chouriças de carne e de sangue produzidas em Melgaço.

Actualmente o concelho tem oito produtores de fumeiro licenciados, três deles com pequenas unidades industriais - Quinta de Folga, Delícias do Planalto e Fumeiro do Laboreiro - e cinco micro-produtores - Palmira Rodrigues, Deolinda das Dores de Souza Amorim, Leonor Esteves, Inês de Sousa Lobato e Maria de Lurdes Alves - que, produzindo sazonalmente dentro dos moldes tradicionais, o fazem cumprindo as normas legais de higiene e segurança.

Jornadas gastronómicas

Paralelamente, Melgaço, através de doze restaurante ade-rentes, realiza as jornadas gastronómicas para mostrar outros sabores da rica e genuína cozinha altominhota.

A Tasquinha da Portela em Paderne, Adega Sabino, Miradouro do Castelo, Mini Zip, Boavista no Peso, Paris, Panorama no Mercado, A muralha, Vidoeiro em Lamas de Mouro, Chafaxix, O Adérito e Mira Castro Laboreiro são os restaurantes que participam nestas jornadas gastronómicas. Desde os petiscos mais diversos, aos pratos e sobremesas deliciosas, os visitantes de Melgaço podem apreciar estes sabores, com destaque para o cabrito do monte, bacalhau em várias formas, costeletão, cozido, posta à barrosã, sável e lampreia sem esquecer a truta que podem aparecer nos pratos com Alvarinho.


quarta-feira, 27 de abril de 2011

Festa do Alvarinho e do Fumeiro de Melgaço - 29, 30 de Abril e 1 de Maio


A Festa do Alvarinho e do Fumeiro de Melgaço começa já na próxima sexta-feira e prolonga-se até domingo. Para além das actividades directamente relacionadas com o Alvarinho e com o fumeiro (com expositores, jornadas gastronómicas e concursos), do programa constam actividades desportivas e musicais.

De destacar também que o Programa das Festas, da RTP, será transmitido em directo de Melgaço, no sábado, entre as 16h e as 19h30.


Expositores

O Vinho Alvarinho

Razões naturais de microclima e solo, fizeram desta sub-região não só o berço, mas também o solar do Alvarinho, pois proporcionam a este vinho uma elevada tipicidade e genuinidade. Ao entrar pelas portas do concelho, vindo de Monção ou de Espanha, podem apreciar-se as vinhas desta casta, plantadas em magníficos anfiteatros, situados a meia encosta, num microclima único, protegido pelas montanhas de Portugal e Espanha, conjugando o Solo, o Sol, o Sofrimento, a Sabedoria e o Sossego. Cinco "SS" para um vinho cheio de arte e de vida.

Neste certame participam praticamente todos os produtores do concelho de Melgaço e alguns do concelho de Monção, em pavilhões individualizados, onde tem a oportunidade para estabelecer uma rede de contactos profissionais, mas sobretudo divulgar e promover os seus produtos e fazer com que o consumidor queira repetir, futuramente, a experiência.
O melhor Alvarinho do mundo está aqui... Prove!

O Fumeiro

Esta feira é uma óptima oportunidade para o público saborear, apreciar e adquirir produtos caseiros de e com qualidade. O nosso objectivo é deixar, a quem nos visita, o desejo irresistível de voltar a Melgaço, ao encontro de paladares requintados e ainda a vontade de adquirir os produtos existentes nos locais de venda.

Broa e Doçaria

Artesanato e Entidades Colectivas


Gastronomia


O visitante da Festa do Alvarinho e do Fumeiro tem ao seu dispor duas formas de saborear os pratos típicos da região e desfrutar do melhor da nossa gastronomia através das Jornadas Gastronómicas ou nas Tasquinhas.

Melgaço
é um roteiro obrigatório para apreciadores e especialistas gastronómicos. Aqui sobrevivem usos e costumes que conferem aos produtos locais características de requintado e irresistível sabor. São vários os turistas que se deslocam ao concelho para apreciar os sabores da gastronomia local.

A cozinha tradicional desta região é simples mas de grande qualidade, havendo uma relação directa entre os ingredientes colhidos na região e os pratos típicos tradicionais, nomeadamente o cobiçado cabrito assado no forno de cozer o pão, a lampreia com arroz à bordalesa, frita com ovos ou assada, as trutas do Rio Minho abafadas, o sarrabulho, os grelos com rojões, a bola da frigideira, o bolo da pedra, a água d’unto, o bucho doce, as migas doces e os pastéis mimosos. Junte-se-lhe o insinuante presunto, de cor rosa-avermelhada, de Fiães e Castro Laboreiro, os diversos enchidos e acompanhados com um vinho Alvarinho, reúne todas as condições para usufruir de uma refeição magistral.

Visite as tasquinhas, no recinto da feira e delicie-se com os produtos locais que, depois de confeccionados com sabedoria e tradição, oferecem um toque do bom sabor de antigamente...

A edição 2011 volta a contar com a participação de dez tasquinhas devidamente seleccionadas de entre os similares dos hoteleiros e das associações sem fins lucrativos do concelho que, cumprindo escrupulosamente as regras de higiene e segurança exigidas pela Câmara Municipal, vão dar a conhecer diariamente, das 11h00 às 02h00, os pratos típicos do concelho e o seu bom vinho Alvarinho.



O concelho de Melgaço dá-lhe as boas vindas e convida-o a sentar-se à mesa dos 12 restaurantes aderentes às Jornadas Gastronómicas para que possa saborear a preceito a gostosa genuinidade dos cozinhados tradicionais.

A nossa gastronomia revela sabedorias seculares, usos e costumes que conferem aos produtos locais características de requintado e irresistível sabor.
E como não podia deixar de ser, todos estes pratos ficarão mais apaladados se forem “regados” com um vinho único: o Alvarinho, orgulho das gentes locais. Trata-se de um vinho de alta qualidade, distinto nos aromas e sabores. É pela sua originalidade, considerado um dos melhores vinhos do mundo.

Restaurantes aderentes e menú


Concursos

Como forma de incentivar os produtores participantes, realizam-se uma série de concursos nos quais são analisados os produtos concorrentes e atribuídos prémios aos três melhores classificados.


A informação foi retirada do site da Câmara Municipal de Melgaço, onde também podem encontrar outras informações.

terça-feira, 29 de março de 2011

Melgaço: Alvarinho e fumeiro em feira no final de Abril

A Festa do Alvarinho e do Fumeiro de Melgaço (FAFM), que este ano decorre entre 29 de Abril e 1 de Maio, começou, em 1995, por se apresentar como uma mostra de produtos locais para as populações locais.

Com o passar dos anos e como os dados demonstram , a FAFM tornou-se numa festa reconhecida a nível nacional. Em 2009 o Turismo de Portugal reconheceu o seu interesse para o turismo.

Produtores de alvarinho e de fumeiro do concelho marcam presença na Feira.

Presentemente, trata-se de um evento com notoriedade nas festas gastronómicas do país, atraindo pessoas dos diversos pontos do território nacional e também um grande número de espanhóis, sobretudo da vizinha Galiza.

A autarquia melgacense nota, em texto editado na internet, pretender que o certame constitua um momento alto na estratégia traçada para a promoção dos produtos locais de qualidade e das actividades que com eles se relacionam, como sejam os vinhos Avarinhos, o fumeiro, o artesanato, o turismo, a gastronomia e outros, bem como uma oportunidade única para a criação e a consolidação de laços entre os agentes do comércio, os consumidores e a produção.

in: Correio do Minho, 28-03-2011

sábado, 26 de março de 2011

"Inverneiras e brandas. A vida loba de Castro Laboreiro"


No Norte do país ainda há 20 famílias que mantêm a tradição de mudar de casa do Inverno para o Verão, separadas por 200 metros de altitude

Isalina vive há 68 anos entre inverneiras e brandas


Desta vez o dia dependia da vaca Viana. O animal desce vagaroso a rua de Cainheiras, uma das inverneiras de Castro Laboreiro, lugares que durante anos só eram habitados nos três meses de Inverno. Hoje já há duas famílias que ficam, mas as outras, por volta do dia 15 de Março mais coisa menos coisa, sobem para as brandas, acima dos 1000 metros de altitude, e com uma diferença de 6oC que se sente no primeiro sábado de quase Primavera. A vaca vai prenha, e ainda bem, tinham receio que parisse entretanto, conta Isalina Fernandes, 68 anos num emaranhado de português e galego. Em Padresouro, a terra de Verão onde as pernas já não a levam, pastam menos e crescem mais. Cada vitelo dá-lhes 600 euros e é o único rendimento que tiram à natureza semeada de batatas, couves e centeio.

Isalina nasceu numa inverneira. "Tenho quatro casas", desdenha da crise. "Somos ricos de terra." Veste preto. A cor usava-se no casamento e nunca mais se largava, por causa da responsabilidade. Isalina assim fez nos 40 anos que o marido andou emigrado em França, Arábia Saudita, Iraque, Argélia. Alecíades Rodrigues, 71, assiste do alto do morro. A mulher manda, a mulher tratou da filha, a mulher tratou do campo, geriu as poupanças até que ele voltou, há 12 anos.

Dizem muitas vezes "até que voltasse da escravatura da emigração", onde a humidade colava as camisas ao corpo e havia dias que mal se comia. Lá, para confundir patrões, os de Castro Laboreiro inventaram um dialecto. No "verbo", as batatas eram "terrenas" e o tabaco "macaio".

Ali, na raia do Parque Natural do Gerês, os animais continuam a obrigar 20 famílias (no início da década eram 80) à transumância. Os animais e a tradição, que os mais velhos não decidem onde gostariam de se fixar de vez. Enquanto uns não decidem, os outros deixam-se ir para não ficarem sozinhos, que os burlões que se fazem passar por funcionários da Segurança Social chegam cada vez mais àquele fim do mundo, que todos aprenderam a contrapor com "o princípio do mundo", retratado por Manoel de Oliveira no filme de 1997.

Isalina não tem essa sabedoria, mas guarda outras. Passa pouco das 9h e nas montanhas à volta - onde desenha com as lembranças e os dedos os caminhos do contrabando, o principal negócio da maior freguesia de Viana do Castelo depois das minas de volfrâmio que alimentaram as guerras - há vários incêndios. É normal? "Quando começa um, há logo dois ou três", respondem. O fogo que no Verão atrai as câmaras continua a servir para renovar os pastos e não há bombeiros a assistir.

"É o Natal na inverneira e a Páscoa na branda", os períodos que regulam a vida de Isalina, que partilha as duas casas com o marido, a filha e a irmã quatro anos mais nova e com cara de menina. As outras duas casas são dos animais. A mãe, que viveu até aos 92, criou seis filhos, "cada um de seu pai, e nunca nos deixou mágoas que a água não lavasse", respira. "Isto hoje não custa viver, custa é morrer."

A mudança já não é o que era. O ditado diz que antes ia até o gato, mas é só um ditado. As galinhas agarram-se pelas asas e enfiam-se numa caixa, os coelhos vão tapados num alguidar. A televisão tem uma pega, vão bebidas e comida e fecha-se o portão. O tractor e um Renault 9 substituem as pernas.

"Dantes não havia colesterol em Castro Laboreiro", conta a filha, Leonor, 45 anos, quando nos sentamos à mesa da casa, já na branda, de janelas abertas. Esta tem melhores condições e foi construída com o dinheiro da emigração, como todas as casas grandes da serra. A outra é baixa, de pedra, esta é feita de chapa, tem dois andares e vista privilegiada para o planalto, onde vive uma alcateia, há veados e cada vez mais turistas. A água vai buscar-se a um regato com seixos e musgo e bebe-se mesmo sem ser controlada. A luz e as estradas já chegaram ali há mais de 40 anos, conta Isalina, "com o nosso dinheiro e as nossas terras". E com a bênção do padre, que já morreu. Explicam que a neve, dantes, quando as estações eram mais separadas, crescia 80 centímetros na estrada e não se distinguiam os muros. "Dantes descíamos com os mortos às costas", lembra Alecíades. Os mortos até ao cemitério no lugar fixo de Castro Laboreiro, carregados por miúdos de 15 anos, cheios de histórias dos carabineiros da fronteira nos ouvidos. As raparigas levavam os rebanhos a pastar, todas as ovelhas do lugar juntas, e tremiam ao ouvir os buenos dias dos galegos. Queriam levá-las, à mais bonita, à ruiva. "Quem galego pouco emprego." À noite faziam--se bailaricos nos montes de pedra.

Matam dois porcos que dão carne para o ano, fumam chouriças, toucinho e todas as pernas. Cortam fatias de presunto como se fossem entremeada, que nos dão a comer com pão e laranjada. Agarram-se ao campo até aos 80, 90 anos, mas o sábado é tranquilo, explicam, sem dizer o u. "Os primeiros emigrantes de Castro Laboreiro partiram em 1816", repete Alecíades, lembrando os fragmentos da história que sabe. Há dois anos apareceu-lhes um primo de França que nunca tinham visto e confiaram depois de desconfiar, o primeiro instinto de todos os que vivem ali.

As inverneiras eram 18 e hoje são sete. As brandas eram 19 e hoje são seis. Os censos andam na rua, mas todos duvidam que ali vivam os 700 de 2001. Elisabete e Filipe, caras do turismo e facilitadores das conversas, ajudam com os números. Serão 500 habitantes, quando já foram 2 mil. Só há uma escola e 20 crianças - dantes a professora primária andava com a vida entre brandas e inverneiras. Onze aldeias já estão abandonadas, outras tornaram- -se lugares fixos: só nas Eiras, a branda mesmo abaixo de Padresouro, há 15 famílias que desistiram de mudar o ano passado. Arriscam que a tradição é única na Europa, pelo que têm ouvido: "Dez anos e acaba", admite Elisabete. Mas por Isalina não. Em Dezembro voltarão a descer. "A vida é loba", atira-nos.

Veja a reportagem vídeo em www.ionline.pt